Muita gente planeja passar as férias no exterior e fica em dúvida sobre o que fazer para juntar dinheiro para a viagem. Uma das alternativas sugeridas por alguns especialistas são os fundos cambiais.
Porém, o que são os fundos cambiais e no que investem? Ao contrário do que muita gente imagina, os fundos cambiais não investem diretamente em dólares (ou outra moeda estrangeira). A lógica disto é que, ao investir em papel-moeda, os fundos cambiais deixariam de obter renda com juros. De certa forma, seria como guardar dinheiro no colchão. O que os fundos cambiais fazem é investir em títulos públicos federais indexados à taxa Selic (LFT) ou prefixados (LTN ou NTN-F), ou títulos privados indexados ao CDI, e, através de instrumentos financeiros conhecidos como derivativos, trocam estes indexadores (taxa prefixada, Selic ou CDI) pelo dólar acrescido de uma taxa de juros. De certa forma, com esta estrutura, os fundos cambiais adquirem títulos indexados ao dólar. Como estes “títulos” pagam juros, os fundos cambiais passam a ser remunerados pela variação cambial acrescida de juros. No vencimento, os fundos cambiais não recebem dólares (ou outra moeda estrangeira), mas sim reais, cuja quantidade é calculada de acordo com a cotação da moeda estrangeira.
Acompanhando o desempenho dos fundos cambiais, o que se percebe é que nem sempre a sua rentabilidade corresponde à variação do dólar. Além da taxa de administração, o que causa esta diferença é justamente a taxa de juros dos “títulos” indexados ao dólar. Como os fundos são obrigados a calcular diariamente o valor dos seus ativos pelo preço de mercado, as variações nas taxas de juros destes títulos acabam afetando também a rentabilidade dos fundos cambiais. Em períodos mais turbulentos, é possível até que o dólar suba e os fundos cambiais apresentem prejuízo ou vice-versa. Em nosso post que aborda o risco de fundos DI na comparação com os de renda fixa, é possível entender um pouco mais como este mecanismo de apreçamento de títulos pelo seu preço de mercado (marcação a mercado) afeta o rendimento dos fundos.

Observando o gráfico abaixo, o qual mostra as rentabilidades mensais de alguns fundos cambiais dos principais bancos de varejo e também do dólar comercial, podemos verificar que apenas em out/13, os fundos cambiais apresentam rentabilidade oposta ao do dólar comercial. Enquanto o dólar desvalorizou 1,23%, os fundos cambiais da amostra apresentaram rentabilidade positiva entre 0,42% e 0,68%.

 

O gráfico seguinte mostra as rentabilidades anuais de 2004 a 2014 (neste último ano, até março apenas). Observando as rentabilidades ano a ano, não há diferenças muito fortes entre os fundos cambiais e a variação do dólar comercial.

 

Já no último gráfico, mostramos a evolução mensal de um investimento inicial de R$ 100 em 31/dez/2010 em cada um dos fundos cambiais e no dólar. Excluindo efeitos de imposto de renda, o investidor teria R$ 135,82 no dólar comercial e nos fundos cambiais, os valores estariam entre um mínimo de R$ 127,15 e um máximo de R$ 138,01. Coincidentemente, os fundos cambiais com os piores desempenhos são os que possuem maiores taxas de administração (ver tabela mais abaixo).

 

Na tabela abaixo, exibimos as taxas de administração e os valores mínimos para aplicação inicial.

Fundo Cambial

Tx adm

Aplic inicial

BB Cambial Dólar LP Mil

1,50%

1.000

Santander Cambial

2,50%

1.000

Itaú Cambial Dólar FICFI

2,50%

1.000

Bradesco FIC Cambial Dólar

3,00%

1.000

CAIXA FIC Cambial Dólar

1,00%

1.000

 
O que pudemos observar é que os fundos cambiais podem ser uma alternativa para quem planeja viajar ao exterior e quer juntar dinheiro aos poucos, mas é preciso se atentar às taxas de administração cobradas. Se não houver um fundo com baixa taxa de administração ou se você vai viajar em pouco tempo, o melhor mesmo é comprar a moeda estrangeira aos poucos. Com a nova alíquota de IOF (6,38%) para a compra de moeda estrangeira no cartão pré-pago, restou apenas a opção de comprar em espécie para poder economizar no pagamento de imposto (IOF para compras em espécie tem alíquota de 0,38%).
Uma questão importante é que, ao levar em conta o imposto de renda sobre o ganho obtido nos fundos cambiais (15% para fundos de longo prazo e prazo mínimo de investimento de 2 anos), o fundo que apresentou saldo de R$ 138,01 no último gráfico, na verdade, entregaria apenas o valor de R$ 132,31, valor abaixo da valorização do dólar comercial.

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