Neste 26 de julho, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa Selic de 10,25% para 9,25% ao ano. Trata-se da menor taxa desde 9 de outubro de 2013, dia em que o Copom havia decidido por elevar a taxa de 9,00% para 9,50%.

A taxa Selic foi reduzida em 1 ponto percentual nesta quinta reunião do COPOM de 2017. Com isto, o Comitê voltou a repetir a redução realizada nas duas últimas reuniões. A próxima reunião será no dia 6 de setembro e a expectativa do mercado é de que a Selic encerre o ano com uma taxa de 8%.
 

Histórico meta Taxa Selic julho 17

Histórico meta Taxa Selic julho 17

 

Em relação ao comportamento futuro da taxa Selic, a expectativa de mercado é refletida na negociação dos contratos futuros de DI 1 dia da BM&FBovespa, que são o principal referencial de taxa de juros do mercado brasileiro. Diariamente, são negociados centenas de bilhões de reais, abrangendo desde especuladores até agentes interessados em se proteger das variações das taxas. No gráfico abaixo, mostramos como as taxas de juros de longo prazo se alteraram do final de 2015 para cá.

 

Estruturas temporais de taxas de juros – 26 julho 17

Estruturas temporais de taxas de juros – 26 julho 17

 

Em 30 de dezembro de 2015, a taxa de 5 anos era de 16,62% a.a., refletindo o clima de incerteza e pessimismo em relação à economia e à dúvida em relação à efetivação dos ajustes ficais. No entanto, esta taxa caiu para 13,93% em 31 de março de 2016 (com a expectativa de uma troca de governo e mudança na política econômica) e, já com um novo governo, caiu ainda mais, para 11,50% em 29 de dezembro.

Em 30 de junho de 2017, esta taxa de 5 anos já estava em 10,46%, mais de 6 pontos percentuais abaixo da taxa do final de 2015, enquanto a Selic havia caído apenas 4 pontos percentuais neste mesmo período. Em 26 de julho, a taxa de 5 anos já se encontrava em 9,95% ao ano, próximo ao patamar anterior à divulgação da delação premiada da JBS (em 17 de maio, esta taxa de 5 anos estava em 9,87%).

Analisando estas mesmas informações dos contratos futuros de DI 1 dia, é possível extrair as taxas médias implícitas do CDI para cada um dos próximos anos. No gráfico seguinte, podemos ver que, em 30 de dezembro de 2015, a taxa média do CDI esperada para o ano de 2018 era de 17,07% ao ano, o que sinalizava a expectativa de aumentos na taxa Selic (que estava em 14,25% a.a.). No entanto, já em 31 de março de 2016, esta taxa já havia caído para 14,11% e, no final de 2016, ela já estava em 10,56%, com a expectativa de mais reduções ao longo de 2017.

Em 30 de junho, com a queda significativa do IPCA e com notícias positivas no cenário econômico e fiscal, a taxa média de 2018 caiu para 8,89%, e agora, em 26 de julho, caiu ainda mais, fechando o dia em 8,34%. Analisando os demais períodos, é possível observar que todas as taxas caíram significativamente ao longo destes anos de 2016 e 2017.

 

Taxa média CDI esperada – 26 julho 17

Taxa média CDI esperada – 26 julho 17

 

A expectativa de uma queda da taxa Selic nos próximos meses está relacionada à percepção de que a inflação medida pelo IPCA deve continuar caindo mais ao longo dos próximos meses. Para se ter uma ideia, a expectativa do IPCA para julho é de 0,10%, o que levaria a inflação acumulada em 12 meses para 2,57%, significativamente abaixo do limite inferior da meta. Com isto, investimentos como CDB, LCI e LCA com taxas atreladas ao CDI e o Tesouro Selic (LFT, indexada pela taxa Selic) do Tesouro Direto ficarão menos atraentes, com ganhos decrescentes ao longo dos próximos meses. Mesmo assim, as taxas de juros reais (descontada a inflação) ainda continuarão a ser uma das mais altas no mundo.

 

Poupança x lci x fundo x cdb - Imagem

Produtos de renda fixa pós-fixados tendem a diminuir a rentabilidade ainda mais nos próximos meses

 

Em relação à questão do melhor investimento de baixo risco com este cenário, não há uma resposta única que sirva a todos os casos. As alternativas variam muito de acordo com o valor disponível para investimento, o prazo, o risco e a instituição financeira, entre outros fatores. Para ajudar, montamos uma tabela com as projeções de rendimentos para diversas aplicações de baixo risco (como Poupança nova, LCI, CDB-DI, Fundo DI e LFT) e diferentes prazos. Nela, consideramos que a taxa Selic se mantenha constante ao longo do tempo no atual patamar, o que se trata de um cenário muito pouco provável.

As projeções para a LCI também valem para a LCA, pois ambos os títulos têm características semelhantes. Para facilitar os cálculos, utilizamos os seguintes parâmetros:

- Taxa CDI constante de 9,14% ao ano;
– Taxa Selic (meta) constante de 9,25% ao ano;
– Taxa Selic constante de 9,15% ao ano;
– Mês padronizado de 21 dias úteis;
– LCI e LCA são exibidas com rendimentos entre 80% e 105% do CDI. Pode haver instituições oferecendo taxas mais baixas (grandes bancos) ou taxas mais altas (bancos pequenos, com maior risco de crédito);
– Fundos DI são apresentados de acordo com as taxas de administração de 0,5% a 5% ao ano, e rentabilidade bruta (sem descontar a taxa de administração) de 102,2% do CDI;
– CDBs são apresentados de acordo com o rendimento contratado, entre 80% e 105% do CDI;
– Tesouro Selic (LFT) é apresentado com os descontos das diferentes taxas de corretagem (0% a 0,5% a.a.) e as rentabilidades projetadas já se encontram líquidas da taxa de custódia cobrada pela BM&F Bovespa de 0,30% ao ano. Não consideramos eventual ágio ou deságio na negociação dos títulos.

 

Para facilitar a comparação, os valores que estão em fundo verde escuro são aqueles que apresentam rendimento igual ou superior ao CDI. Em verde claro, estão aqueles que renderam mais do que a poupança, mas menos do que o CDI para o mesmo prazo de investimento. As rentabilidades apresentadas são nominais (sem descontar a inflação) e líquidas de imposto de renda.

 

Poupança x LCI-LCA x Fundos DI x CDB-DI x Tesouro Selic 31 mai 17 – projeção Selic 9,25% constante

Poupança x LCI-LCA x Fundos DI x CDB-DI x Tesouro Selic 31 mai 17 – projeção Selic 9,25% constante

 

Vale destacar que quaisquer Fundos DI e Tesouro Selic são alternativas menos atraentes do que a poupança para quem for aplicar por apenas 3 meses ou menos. No entanto, é preciso lembrar que a poupança só paga juros na data de aniversário. Resgates fora da data de aniversário só receberão os juros acumulados até a data de aniversário anterior. Com isto, se a aplicação for feita para um período de 1 mês e meio, por exemplo, os fundos DI e o Tesouro Selic voltam a ser interessantes.

Na tabela seguinte, exibimos as projeções de rentabilidade com base no cenário de taxas de juros apresentado pelo mercado futuro de DI do dia 26 de julho (fechamento). As premissas são as mesmas utilizadas na tabela anterior, à exceção das taxas Selic e CDI, as quais foram projetadas de acordo com a curva de juros do final deste dia. Trata-se de uma projeção mais realista do que a da tabela anterior, pois ela agrega expectativas de mercado em relação ao comportamento do CDI nos próximos meses.

 

Poupança x LCI-LCA x Fundos DI x CDB-DI x Tesouro Selic – projeção DI Futuro 26 julho 17

Poupança x LCI-LCA x Fundos DI x CDB-DI x Tesouro Selic – projeção DI Futuro 26 julho 17

 

Um ponto importante a destacar é que tanto a LCI quanto a LCA devem render mais do que a poupança mesmo a uma taxa de 77,5% do CDI, em ambos os cenários. Assim, se o investidor não precisar do dinheiro em menos de 90 dias (prazo mínimo para resgate), é quase certo que será melhor negócio investir em uma LCI do que na poupança. No caso do investimento no Tesouro Direto em Tesouro Selic, desde que isenta da taxa de administração (da corretora), ele deverá render mais do que a poupança em prazos acima de 6 meses.

Quanto aos fundos DI, como regra geral, o investidor deve passar a buscar investir naqueles com taxas de administração abaixo de 1,0% ao ano para bater a poupança. Como costumamos comentar, para esta categoria de fundos, quanto mais baixa for a taxa de administração, melhor tenderá a ser a sua remuneração. Vale notar também que o investimento em fundos DI com taxa de administração de 0,5% ao ano tende a ter rentabilidade equivalente ao Tesouro Selic sem cobrança de taxa de administração/custódia.

Um fato importante é que, com a redução da taxa Selic, os custos de investimento como a taxa de administração dos fundos e a taxa de administração/corretagem do Tesouro Direto passarão a pesar cada vez mais no desempenho destes investimentos.

 

- Tesouro Direto: em qual título devo investir?

 

Poupanças x LCI x LCA x Fundo DI x CDB x Tesouro Selic

LCI, LCA, CDB-DI, fundos DI e Tesouro Selic mantem vantagem em relação à poupança

 

Para os que não conhecem bem estas modalidades de investimento, apresentamos a seguir algumas características importantes destes produtos financeiros:

 

1 – Poupança nova

– Refere-se aos depósitos realizados a partir do dia 04/05/2012.
– Cobertura do FGC (até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira)
– Isenção de imposto de renda para pessoas físicas
– Resgates fora da data de aniversário não pagam juros entre a última data de aniversário e a data de resgate. Repare que se você for aplicar seus recursos por 1,5 meses ao invés de 1 mês, é possível que um fundo DI com taxa de administração mais alta renda mais do que a poupança
– Aceita aplicações de valor baixo

 

2 – LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)

– Cobertura do FGC (até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira)
– Isenção de imposto de renda para pessoas físicas
– Resgates antes do vencimento ou antes do prazo de carência não pagam juros
– Resgates podem ser feitos a partir de 90 dias (quando indexada ao CDI), a depender do contrato
– Aplicação inicial costuma exigir valores altos, geralmente a partir de R$ 30 mil. Algumas corretoras independentes e bancos médios oferecem investimento inicial em LCI a partir de R$ 1 mil

 

3 – Fundos DI

– Não há cobertura do FGC, mas o patrimônio do fundo pertence aos cotistas e está segregado dos ativos do banco
Imposto de renda pela alíquota regressiva (15% a 22,5%). Há cobrança semestral de 15% sobre os ganhos (“come-cotas”)
– Normalmente, permite resgates em qualquer data sem perda de juros
– Aplicação inicial: em geral, quanto maior o valor, menor é a taxa, o que implica em maior rentabilidade

 

4 – CDB-DI (Certificado de Depósito Bancário – DI)

– Cobertura do FGC (até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira)
– Imposto de renda pela alíquota regressiva (15% a 22,5%)
– CDBs com carência apresentam restrições nos resgates antecipados, porém costumam oferecer melhor rentabilidade. CDBs com liquidez diária não apresentam restrições nos resgates, mas tendem a oferecer menor rentabilidade
– Aplicação inicial: em geral, quanto maior o valor, melhor a rentabilidade.

 

5 – Tesouro Selic (LFT – Letra Financeira do Tesouro)

– Título Público Federal indexado à Taxa Selic
– Pessoas físicas podem comprar ou vender este título através do Tesouro Direto
– Vendas feitas pelo investidor agora podem ser feitas todos os dias (antes, era somente às quartas-feiras)
– É necessário ter conta em corretora para negociar
– Imposto de renda pela alíquota regressiva (15% a 22,5%)
– Baixo risco de crédito: o investidor é credor do governo federal
– Há um spread (diferença) entre as cotações de compra e de venda

 

VEJA TAMBÉM:

– Como investir em LCI

- Guia de Investimentos

- Comparador de Investimentos

- Como investir pouco dinheiro

 

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