Neste último dia 30 de outubro, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu , por unanimidade, pela redução da taxa Selic de 5,5% para 5,0% ao ano. Com isto, a taxa atinge seu patamar mais baixo em toda a sua história. A próxima reunião será no dia 11 de dezembro.

Histórico meta Taxa Selic outubro 2019

Histórico meta Taxa Selic outubro 2019

 

Em relação ao comportamento futuro da taxa Selic, a expectativa de mercado é refletida na negociação dos contratos futuros de DI 1 dia da B3, que são o principal referencial de taxa de juros do mercado brasileiro. Diariamente, são negociados centenas de bilhões de reais, abrangendo desde especuladores até agentes interessados em se proteger das variações das taxas. No gráfico abaixo, mostramos como as taxas de juros de longo prazo se alteraram ao longo do tempo. Vê-se claramente que, apesar da meta da taxa Selic ter caído de 6,5% para 5,0% ao ano do final de 2018 para cá, as taxas de juros do mercado futuro apresentaram variações ainda mais significativas ao longo dos últimos meses.

 

Estruturas temporais de taxas de juros – DI Futuro 30/out/2019

Estruturas temporais de taxas de juros – DI Futuro 30/out/2019

 

Analisando estas mesmas informações dos contratos futuros de DI 1 dia, é possível extrair as taxas médias implícitas do CDI para cada um dos próximos anos. No gráfico seguinte, exibimos, para as mesmas datas do gráfico anterior, as taxas negociadas pelo mercado para os anos de 2020 a 2024. Claramente, as taxas negociadas em 30 de outubro encontram-se significativamente abaixo das taxas negociadas no final de 2018.

 

Taxa média CDI esperada – Projeção DI Futuro 30/out/2019

Taxa média CDI esperada – Projeção DI Futuro 30/out/2019

 

Poupança x lci x fundo x cdb - Imagem

Produtos de renda fixa indexados às taxas CDI ou Selic devem continuar pouco atrativos com a expectativa de queda da taxa Selic nos próximos meses

 

Em relação à questão do melhor investimento de baixo risco com este cenário, não há uma resposta única que sirva a todos os casos. As alternativas variam muito de acordo com o valor disponível para investimento, o prazo, o risco e a instituição financeira, entre outros fatores. Para ajudar, montamos uma tabela com as projeções de rendimentos para diversas aplicações de baixo risco (como Poupança nova, LCI, CDB-DI, Fundo DI e LFT) e diferentes prazos. Nela, consideramos que a taxa Selic se mantenha constante ao longo do tempo no atual patamar, o que se trata de um cenário muito pouco provável.

As projeções para a LCI também valem para a LCA, pois ambos os títulos têm características semelhantes. Para facilitar os cálculos, utilizamos os seguintes parâmetros:

- Taxa CDI constante de 4,90% ao ano;
– Taxa Selic (meta) constante de 5,00% ao ano;
– Taxa Selic constante de 4,90% ao ano;
– Mês padronizado de 21 dias úteis;
– LCI e LCA são exibidas com rendimentos entre 80% e 105% do CDI. Pode haver instituições oferecendo taxas mais baixas (grandes bancos) ou taxas mais altas (bancos pequenos, com maior risco de crédito);
– Fundos DI são apresentados de acordo com as taxas de administração de 0,3% a 4,5% ao ano, e rentabilidade bruta (sem descontar a taxa de administração) de 102,2% do CDI;
– CDBs são apresentados de acordo com o rendimento contratado, entre 80% e 105% do CDI;
– Tesouro Selic (LFT) é apresentado com os descontos das diferentes taxas de corretagem (0% a 0,5% a.a.) e as rentabilidades projetadas já se encontram líquidas da taxa de custódia cobrada pela B3 de 0,25% ao ano. Não consideramos eventual ágio ou deságio na negociação dos títulos, o que significa que o rendimento real deverá ser um pouco abaixo do que está projetado, pois há sempre um spread entre os preços de compra e de venda dos títulos.

 

Para facilitar a comparação, os valores que estão em fundo verde escuro são aqueles que apresentam rendimento igual ou superior ao CDI. Em verde claro, estão aqueles que renderam mais do que a poupança, mas menos do que o CDI para o mesmo prazo de investimento. As rentabilidades apresentadas são nominais (sem descontar a inflação) e líquidas de imposto de renda.

 

Poupança x LCI-LCA x Fundos DI x CDB-DI x Tesouro Selic – projeção projeção Selic 5,0% constante

Poupança x LCI-LCA x Fundos DI x CDB-DI x Tesouro Selic – projeção projeção Selic 5,0% constante

 

Vale destacar que Fundos DI com taxas de administração acima de 0,5% ao ano e Tesouro Selic com taxas de corretagem acima de 0,1% ao ano são alternativas menos atraentes do que a poupança para quem for aplicar por apenas 3 meses ou menos. No entanto, é preciso lembrar que a poupança só paga juros na data de aniversário. Resgates fora da data de aniversário só receberão os juros acumulados até a data de aniversário anterior. Com isto, se a aplicação for feita para um período de 1 mês e meio, por exemplo, os fundos DI e o Tesouro Selic voltam a ser interessantes.

Na tabela seguinte, exibimos as projeções de rentabilidade com base no cenário de taxas de juros apresentado pelo mercado futuro de DI do dia 18 de setembro (fechamento). As premissas são as mesmas utilizadas na tabela anterior, à exceção das taxas Selic e CDI, as quais foram projetadas de acordo com a curva de juros do final deste dia. Trata-se de uma projeção mais realista do que a da tabela anterior, pois ela agrega expectativas de mercado em relação ao comportamento do CDI nos próximos meses.

 

Poupança x LCI-LCA x Fundos DI x CDB-DI x Tesouro Selic – projeção DI Futuro 30/out/2019

Poupança x LCI-LCA x Fundos DI x CDB-DI x Tesouro Selic – projeção DI Futuro 30/out/2019

 

Um ponto importante a destacar é que tanto a LCI quanto a LCA devem render mais do que a poupança mesmo a uma taxa de 75% do CDI, em ambos os cenários. Assim, se o investidor não precisar do dinheiro antes do vencimento, é quase certo que será melhor negócio investir em uma LCI do que na poupança. No caso do investimento no Tesouro Direto em Tesouro Selic, ele deverá render mais do que a poupança para qualquer prazo, desde que o investidor esteja isento do pagamento da taxa da corretora, algo que até os grandes bancos estão deixando de cobrar.

Quanto aos fundos DI, como regra geral, o investidor deve sempre buscar investir naqueles com taxas de administração igual ou abaixo de 0,3% ao ano para bater a poupança em qualquer prazo. Como costumamos comentar, para esta categoria de fundos, quanto mais baixa for a taxa de administração, melhor tenderá a ser a sua remuneração. Vale notar também que o investimento em fundos DI com taxa de administração de 0,3% ao ano tende a ter rentabilidade superior ao Tesouro Selic sem cobrança de taxa de administração/custódia.

Um fato importante é que, com a taxa Selic em um patamar mais baixo, os custos de investimento como a taxa de administração dos fundos e a taxa de administração/corretagem do Tesouro Direto representam um peso bastante significativo no desempenho destes investimentos.

 

- Tesouro Direto: em qual título devo investir?

 

Poupanças x LCI x LCA x Fundo DI x CDB x Tesouro Selic

LCI, LCA, CDB-DI, fundos DI e Tesouro Selic podem ter vantagem em relação à poupança

 

Para os que não conhecem bem estas modalidades de investimento, apresentamos a seguir algumas características importantes destes produtos financeiros:

 

1 – Poupança nova

– Refere-se aos depósitos realizados a partir do dia 04/05/2012.
– Cobertura do FGC (até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira)
– Isenção de imposto de renda para pessoas físicas
– Resgates fora da data de aniversário não pagam juros entre a última data de aniversário e a data de resgate. Repare que se você for aplicar seus recursos por 1,5 meses ao invés de 1 mês, é possível que um fundo DI com taxa de administração mais alta renda mais do que a poupança
– Aceita aplicações de valor baixo

 

2 – LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)

– Cobertura do FGC (até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira)
– Isenção de imposto de renda para pessoas físicas
– Resgates antes do prazo de carência não pagam juros
– Resgates podem ser feitos a partir de 90 dias (quando indexada ao CDI), a depender do contrato
– Aplicação inicial costuma exigir valores altos, geralmente a partir de R$ 30 mil. Algumas corretoras independentes e bancos médios oferecem investimento inicial em LCI a partir de R$ 1 mil

 

3 – Fundos DI

– Não há cobertura do FGC, mas o patrimônio do fundo pertence aos cotistas e está segregado dos ativos do banco
Imposto de renda pela alíquota regressiva (15% a 22,5%). Há cobrança semestral de 15% sobre os ganhos (“come-cotas”)
– Normalmente, permite resgates em qualquer data sem perda de juros
– Aplicação inicial: em geral, quanto maior o valor, menor é a taxa, o que implica em maior rentabilidade

 

4 – CDB-DI (Certificado de Depósito Bancário – DI)

– Cobertura do FGC (até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira)
– Imposto de renda pela alíquota regressiva (15% a 22,5%)
– CDBs com carência apresentam restrições nos resgates antecipados, porém costumam oferecer melhor rentabilidade. CDBs com liquidez diária não apresentam restrições nos resgates, mas tendem a oferecer menor rentabilidade
– Aplicação inicial: em geral, quanto maior o valor, melhor a rentabilidade.

 

5 – Tesouro Selic (LFT – Letra Financeira do Tesouro)

– Título Público Federal indexado à Taxa Selic
– Pessoas físicas podem comprar ou vender este título através do Tesouro Direto
– Vendas feitas pelo investidor agora podem ser feitas todos os dias (antes, era somente às quartas-feiras)
– É necessário ter conta em corretora para negociar
– Imposto de renda pela alíquota regressiva (15% a 22,5%)
– Baixo risco de crédito: o investidor é credor do governo federal
– Há um spread (diferença) entre as cotações de compra e de venda

 

VEJA TAMBÉM:

– Como investir em LCI

- Guia de Investimentos

- Comparador de Investimentos

- Como investir pouco dinheiro

 

Caso queira comentar este e outros textos, por favor, encaminhe uma mensagem para contato@minhaseconomias.com.br