No dia 30 de novembro, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa Selic de 14,00% para 13,75% ao ano. Trata-se da segunda queda consecutiva no ano.

A taxa Selic foi reduzida mais uma vez em 25 pontos-base na última reunião do COPOM em 2016, chegando ao mesmo patamar de taxa observada em janeiro de 2009 e ainda bastante acima do piso de 7,25% observado em abril de 2013. A próxima reunião será apenas em 11 de janeiro de 2017.
 

Histórico meta Taxa Selic nov-16

Histórico meta Taxa Selic nov-16

 

Ainda que a taxa Selic tenha oscilado pouco nos últimos anos, a expectativa em relação ao seu comportamento futuro tem oscilado bastante. Esta expectativa é refletida na negociação dos contratos futuros de DI 1 dia da BM&FBovespa, que são o principal referencial de taxa de juros do mercado brasileiro. Diariamente, são negociados centenas de bilhões de reais, abrangendo desde especuladores até agentes interessados em se proteger das variações das taxas. No gráfico abaixo, mostramos como as taxas de juros de longo prazo se alteraram nestes últimos meses.

 

Estruturas temporais de taxas de juros – 30 nov 16

Estruturas temporais de taxas de juros – 30 nov 16

 

No dia 30 de julho de 2015, dia útil seguinte à decisão do Banco Central de subir a taxa Selic de 13,75% ao ano para 14,25% a.a., a taxa de 5 anos era de 12,86% a.a. e passou para 16,62% a.a. em 30 de dezembro. No entanto, esta taxa caiu para 13,93% em 31 de março, 11,14% a.a. em 19 de outubro (data da reunião anterior do COPOM), e agora voltou a subir para 11,87% em 30 de novembro. Na comparação com a situação no final de 2015, a taxa Selic caiu apenas 0,50 pontos percentuais, mas as taxas mais longas apresentaram uma queda muito maior. A taxa de 5 anos, por exemplo, caiu quase 5 pontos percentuais.

Analisando estas mesmas informações dos contratos futuros de DI 1 dia, é possível extrair as taxas médias implícitas do CDI para cada um dos próximos anos. No gráfico seguinte, podemos ver que, em 30 de julho de 2015, a taxa média do CDI esperada para o ano de 2017 era de 12,28% ao ano, o que sinalizava a expectativa de cortes na taxa Selic (que estava em 14,25% a.a.). No entanto, no final de 2015, esta mesma taxa havia saltado para 17,20%, sinalizando expectativa de aumento da Selic nos meses seguintes.

Já nos últimos meses, o mercado passou a reduzir a taxa esperada para o ano de 2017. Em 31 de março, esta taxa havia sido reduzida para 13,59% a.a, caindo ainda mais em 19 de outubro para 11,58% e, agora em 30 de novembro, subiu para 11,92%. Para os períodos de 2019 em diante, as taxas subiram mais de um ponto percentual no período entre estas duas últimas reuniões do COPOM, o que impactou significativamente nos títulos prefixados.

 

Taxa média CDI esperada – 30 nov 16

Taxa média CDI esperada – 30 nov 16

 

Esta expectativa de uma queda menos acelerada na taxa Selic está relacionada à percepção de que a inflação medida pelo IPCA deve continuar caindo mais ao longo dos próximos meses, mas com alguns percalços no caminho. Produtos como CDB, LCI e LCA com taxas atreladas ao CDI e o Tesouro Selic (LFT, indexada pela taxa Selic) do Tesouro Direto ainda serão atraentes, mas com ganhos decrescentes ao longo dos próximos meses.

 

Poupança x lci x fundo x cdb - Imagem

Produtos de renda fixa pós-fixados tendem a diminuir a rentabilidade nos próximos meses

 

Em relação à questão do melhor investimento de baixo risco com este cenário, não há uma resposta única que sirva a todos os casos. As alternativas variam muito de acordo com o valor disponível para investimento, o prazo, o risco e a instituição financeira, entre outros fatores. Para ajudar, montamos uma tabela com as projeções de rendimentos para diversas aplicações de baixo risco, considerando que a taxa Selic se mantenha constante ao longo do tempo no atual patamar (Poupança nova, LCI, CDB-DI, Fundo DI, e LFT) e diferentes prazos. As projeções para a LCI também valem para a LCA, pois ambos os títulos têm características semelhantes. Para facilitar os cálculos, utilizamos os seguintes parâmetros:

- Taxa CDI constante de 13,63% ao ano;
– Taxa Selic (meta) constante de 13,75% ao ano;
– Taxa Selic constante de 13,65% ao ano;
– Mês padronizado de 21 dias úteis;
– LCI e LCA são exibidas com rendimentos entre 80% e 105% do CDI. Pode haver instituições oferecendo taxas mais baixas (grandes bancos) ou taxas mais altas (bancos pequenos, com maior risco de crédito);
– Fundos DI são apresentados de acordo com as taxas de administração de 0,5% a 5% ao ano, e rentabilidade bruta (sem descontar a taxa de administração) de 102,2% do CDI;
– CDBs são apresentados de acordo com o rendimento contratado, entre 80% e 105% do CDI;
– Tesouro Selic (LFT) é apresentado com os descontos das diferentes taxas de corretagem (0% a 0,5% a.a.) e as rentabilidades projetadas já se encontram líquidas da taxa de custódia cobrada pela BM&F Bovespa de 0,30% ao ano. Não consideramos eventual ágio ou deságio na negociação dos títulos.

 

Para facilitar a comparação, os valores que estão em fundo verde escuro são aqueles que apresentam rendimento superior ao CDI. Em verde claro, estão aqueles que renderam mais do que a poupança, mas menos do que o CDI para o mesmo prazo de investimento. As rentabilidades apresentadas são nominais (sem descontar a inflação) e líquidas de imposto de renda.

 

Poupança x LCI-LCA x Fundos DI x CDB-DI x Tesouro Selic 30 nov 16 – projeção Selic constante

Poupança x LCI-LCA x Fundos DI x CDB-DI x Tesouro Selic 30 nov 16 – projeção Selic constante

 

Na próxima tabela, exibimos as projeções de rentabilidade com base no cenário de taxas de juros apresentado pelo mercado futuro de DI do dia 30 de novembro (fechamento). As premissas são as mesmas utilizadas na tabela anterior, à exceção das taxas Selic e CDI, as quais foram projetadas de acordo com a curva de juros do final deste dia. Trata-se de uma projeção mais realista do que a da tabela anterior, pois ela agrega expectativas de mercado em relação ao comportamento do CDI nos próximos meses.

 

Poupança x LCI-LCA x Fundos DI x CDB-DI x Tesouro Selic – projeção DI Futuro 30 nov 16

Poupança x LCI-LCA x Fundos DI x CDB-DI x Tesouro Selic – projeção DI Futuro 30 nov 16

 

Um ponto importante a destacar é que tanto a LCI quanto a LCA rendem mais do que a poupança mesmo a uma taxa de 80% do CDI, em ambos os cenários. Assim, se o investidor não precisar do dinheiro em menos de 90 dias (dependendo do contrato), é quase certo que será melhor negócio investir em uma LCI do que na poupança. Da mesma forma, o investimento no Tesouro Direto em Tesouro Selic também será melhor negócio do que investir na poupança.

Quanto aos fundos DI, como regra geral, o investidor deve sempre buscar investir naqueles com taxas de administração igual ou abaixo de 2,0% ao ano para bater a poupança. Como costumamos comentar, para esta categoria de fundos, quanto mais baixa for a taxa de administração, melhor tenderá a ser a sua remuneração.

 

- Tesouro Direto: em qual título devo investir?

 

Poupanças x LCI x LCA x Fundo DI x CDB x Tesouro Selic

LCI, LCA, CDB-DI, fundos DI e Tesouro Selic mantem vantagem em relação à poupança

 

Para os que não conhecem bem estas modalidades de investimento, apresentamos a seguir algumas características importantes destes produtos financeiros:

 

1 – Poupança nova

– Refere-se aos depósitos realizados a partir do dia 04/05/2012.
– Cobertura do FGC (até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira)
– Isenção de imposto de renda para pessoas físicas
– Resgates fora da data de aniversário não pagam juros entre a última data de aniversário e a data de resgate. Repare que se você for aplicar seus recursos por 1,5 meses ao invés de 1 mês, é possível que um fundo DI com taxa de administração mais alta renda mais do que a poupança
– Aceita aplicações de valor baixo

 

2 – LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)

– Cobertura do FGC (até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira)
– Isenção de imposto de renda para pessoas físicas
– Resgates antes do vencimento ou antes do prazo de carência não pagam juros
– Resgates podem ser feitos a partir de 90 dias (quando indexada ao CDI), a depender do contrato
– Aplicação inicial costuma exigir valores altos, geralmente a partir de R$ 30 mil. Banco do Brasil aceita investimento inicial em LCI a partir de R$ 1 mil

 

3 – Fundos DI

– Não há cobertura do FGC, mas o patrimônio do fundo pertence aos cotistas e está segregado dos ativos do banco
Imposto de renda pela alíquota regressiva (15% a 22,5%). Há cobrança semestral de 15% sobre os ganhos (“come-cotas”)
– Normalmente, permite resgates em qualquer data sem perda de juros
– Aplicação inicial: em geral, quanto maior o valor, menor é a taxa, o que implica em maior rentabilidade

 

4 – CDB-DI (Certificado de Depósito Bancário – DI)

– Cobertura do FGC (até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira)
– Imposto de renda pela alíquota regressiva (15% a 22,5%)
– CDBs com carência apresentam restrições nos resgates antecipados, porém costumam oferecer melhor rentabilidade. CDBs com liquidez diária não apresentam restrições nos resgates, mas tendem a oferecer menor rentabilidade
– Aplicação inicial: em geral, quanto maior o valor, melhor a rentabilidade.

 

5 – Tesouro Selic (LFT – Letra Financeira do Tesouro)

– Título Público Federal indexado à Taxa Selic
– Pessoas físicas podem comprar ou vender este título através do Tesouro Direto
– Vendas feitas pelo investidor agora podem ser feitas todos os dias (antes, era somente às quartas-feiras)
– É necessário ter conta em corretora para negociar
– Imposto de renda pela alíquota regressiva (15% a 22,5%)
– Baixo risco de crédito: o investidor é credor do governo federal
– Há um spread (diferença) entre as cotações de compra e de venda

 

VEJA TAMBÉM:

– Como investir em LCI

- Guia de Investimentos

- Comparador de Investimentos

- Como investir pouco dinheiro

- Veja a cotação do dólar hoje

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