O Banco Central do Brasil divulgou em 27 de março os dados relativos às taxas de operação de crédito de fevereiro de 2020. O destaque no mês foi a queda das taxas de cheque especial com a entrada em vigor das novas regras referentes a esta modalidade de empréstimo.

Na comparação mensal, quatro das oito modalidades apresentaram queda. O cheque especial passou de 141,01% para 130,00% ao ano. Com isto, em um empréstimo de R$ 10 mil, os juros no primeiro mês caíram R$ 41,85. Já a alta da taxa do rotativo de cartão de crédito, representou um aumento de R$ 13,25 para um crédito de R$ 10 mil.

 

Taxa média de juros fevereiro 2020 x janeiro 2020

Taxa média de juros fevereiro 2020 x janeiro 2020

 

Na tabela abaixo, mostramos a comparação anual das taxas. Seis das oito modalidades apresentaram queda, sendo a mais significativa a do cheque especial.

 

Taxa média de juros fevereiro 2020 x fevereiro 2019

Taxa média de juros fevereiro 2020 x fevereiro 2019

 

No gráfico abaixo, é possível observar a diferença significativa que há entre os spreads das modalidades. Os das modalidades que apresentam garantias ao credor são muito mais baixos.

 

Evolução dos spreads – fevereiro 2020 x fevereiro 2019

Evolução dos spreads – fevereiro 2020 x fevereiro 2019

 

Cheque especial

Com as novas regras do Banco Central para esta modalidade, houve nova queda da taxa em fevereiro, mas tanto a taxa quanto o spread ainda estão bastante acima de seus mínimos históricos.

 

Taxa média de juros fevereiro 2020 – Cheque especial

Taxa média de juros fevereiro 2020 – Cheque especial

 

Rotativo do cartão de crédito

A taxa do rotativo de cartão de crédito continua sendo a mais alta do mercado e, com a queda da taxa do cheque especial, ela chega a ser mais do que o dobro desta última.
 

Taxa média de juros fevereiro 2020 – Rotativo cartão de crédito

Taxa média de juros fevereiro 2020 – Rotativo cartão de crédito

 

Crédito pessoal não-consignado

As taxas do crédito pessoal não-consignado são muito mais baixas do que aquelas cobradas no cheque especial e no rotativo de cartão. Com isto, este tipo de empréstimo passa a ser interessante para aqueles que estão bastante endividados e não conseguem obter dinheiro em modalidades mais baratas, mas menos acessíveis como o crédito consignado. Vale lembrar que, como as taxas de juros variam bastante de um banco para outro, é importante pesquisar as taxas oferecidas para que se possa encontrar a menor possível.

 

Taxa média de juros fevereiro 2020 – Crédito pessoal não-consignado

Taxa média de juros fevereiro 2020 – Crédito pessoal não-consignado

 

Parcelamento do cartão de crédito

No caso do parcelamento de cartão, tanto a taxa de juros quanto o spread apresentaram alta em relação ao mês anterior, atingindo as máximas históricas.

 

Taxa média de juros fevereiro 2020 – Parcelamento cartão de crédito

Taxa média de juros fevereiro 2020 – Parcelamento cartão de crédito


 

Financiamento de veículos

Esta é uma modalidade de crédito diferente das anteriores, pois envolve uma garantia, que é o próprio veículo financiado. E, pelo fato de haver uma garantia envolvida, as taxas de juros neste tipo de empréstimo tendem a ser bem mais baixas.

Pelo gráfico, é possível ver claramente que as taxas se mantêm em patamar significativamente mais baixo do que no início da série. Uma explicação para este fenômeno é que todo o processo para busca e apreensão do veículo em caso de inadimplemento (quando o devedor deixa de pagar o financiamento) tornou-se mais ágil e, de certa forma, menos custoso às instituições financeiras. Com isto, este custo menor reflete-se também no spread cobrado. Outra explicação pode estar relacionada ao aumento das exigências e a um maior rigor na análise da concessão de crédito, de modo que financiamentos com maior risco de inadimplência (e, portanto, com taxas de juros mais altas) deixaram de ser concedidas.
Neste mês, a taxa média teve leve baixa, apenas 0,25 p.p. acima da taxa mínima histórica de dezembro 2019. Já o spread está 5,26 pontos percentuais acima do mínimo histórico.

 

Taxa média de juros fevereiro 2020 – Financiamento de veículos

Taxa média de juros fevereiro 2020 – Financiamento de veículos

 

Crédito pessoal consignado

De certa forma, esta também é uma modalidade de crédito com garantia, pois o desconto da parcela é feito diretamente da folha de pagamento, não chegando nem a entrar na conta bancária do devedor. Os dados do Banco Central são abertos em 3 tipos de crédito consignado, a saber:
– Crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado
– Crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor público
– Crédito pessoal consignado para aposentados e pensionistas do INSS

Como podemos ver nos próximos três gráficos, as taxas do crédito voltado a servidores públicos e pensionistas e aposentados do INSS são mais baixas do que as do crédito voltado aos trabalhadores do setor privado. Novamente, a explicação está relacionada ao risco apresentado por cada tipo de cliente. O trabalhador da iniciativa privada tem a possibilidade de ser demitido, ao contrário do servidor público, de forma que há uma probabilidade maior de se tornar inadimplente, uma vez que ao ser demitido, o desconto em folha não mais ocorrerá. Apesar da empresa poder descontar 35% do valor da rescisão para quitar ou amortizar a dívida e de estar prevista a negociação de uma nova taxa de juros, o risco de inadimplência é maior e isto é refletido em uma taxa de juros mais alta.
No caso das taxas dos créditos consignados para o setor público e para o INSS, ambas estão pouco acima das taxas mínimas históricas de dez/19.

 

Taxa média de juros fevereiro 2020 – Crédito consignado setor privado

Taxa média de juros fevereiro 2020 – Crédito consignado setor privado

 

Taxa média de juros fevereiro 2020 – Crédito consignado setor público

Taxa média de juros fevereiro 2020 – Crédito consignado setor público

 

Taxa média de juros fevereiro 2020 – Crédito consignado INSS

Taxa média de juros fevereiro 2020 – Crédito consignado INSS

 

Dicas

Com as taxas de juros do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito em patamares absurdamente elevados, é absolutamente inviável contrair dívidas nestas modalidades. Para quem está devendo dinheiro nestes tipos de empréstimos, é preciso sair o quanto antes deles, seja vendendo um bem, seja tomando dinheiro emprestado a uma taxa de juros mais baixa. Para quem tem acesso ao crédito consignado, esta é uma das modalidades de crédito com taxas de juros razoavelmente baixas. Outra possibilidade, para quem tem um carro (já quitado) e não pode desistir de possuir um, é vendê-lo para poder pagar ao menos parte das dívidas e financiar a compra de outro. Obviamente, a ideia aqui é, na medida do possível, pegar um carro mais barato do que o anterior, afinal, estamos falando de uma pessoa que já está com o orçamento apertado.

Para aqueles que ainda não conseguem fazer um bom planejamento financeiro, vale a pena ler o seguinte texto:

- Dicas para não entrar no cheque especial usando o Minhas Economias

Ainda que você feche as suas contas no vermelho ao final do mês, ao menos você terá uma boa ideia do quanto precisa para pagar as suas contas e poder pegar dinheiro emprestado a uma taxa de juros menor. E, para sair das dívidas, seguem algumas dicas no link abaixo:

- Como sair das dívidas