O Banco Central do Brasil divulgou em 28 de junho os dados relativos às taxas de operação de crédito do mês de maio. As taxas de juros do cheque especial apresentaram uma ligeira queda, mas as do rotativo de cartão de crédito tiveram queda significativa pelo 2º mês consecutivo, ainda que estejam em patamar absurdamente alto.

Com a queda na taxa do rotativo do cartão de crédito, quem deixou de pagar R$ 10.000 da fatura para serem pagos apenas no mês seguinte, passará a pagar R$ 1.362,92, só de juros, contra R$ 1.487,49 no mês anterior. No cheque especial, os mesmos R$ 10 mil custariam R$ 1.281,63 de juros em maio contra R$ 1.288,55 em abril.

À exceção do crédito pessoal não-consignado, todas as modalidades de crédito apresentaram reduções em suas taxas, sendo que o rotativo do cartão foi o que apresentou a maior redução. A taxa ficou em 363,32% ao ano (ou 13,63% ao mês) em maio contra 428,08% a.a (14,87% a.m.) em abril, o que representou uma “economia” de R$ 124,56 mensais para um empréstimo de R$ 10 mil.

Nesta próxima tabela, comparamos as taxas de juros entre os meses de maio e abril de 2017. Nela, pode-se ver que o maior impacto veio do crédito pessoal não-consignado. Nesta modalidade, o aumento da taxa de juros gerou um impacto adicional de R$ 13,39 para uma dívida de R$ 10 mil. Além do cartão de crédito rotativo, o cartão de crédito parcelado foi a modalidade que teve a maior retração no custo de juros, pagando-se na média R$ 7,61 a menos de um mês para o outro para uma dívida de R$ 10 mil.

 

Taxa média de juros maio 2017 x abril 2017

Taxa média de juros maio 2017 x abril 2017

 

Na tabela abaixo, mostramos as taxas de juros de algumas modalidades de empréstimos e financiamentos no mês de maio de 2017 e fazemos uma comparação com o mesmo mês de 2016. Nas 3 últimas colunas, mostramos o quanto se paga de juros em um mês para uma dívida de R$ 10.000 nestes mesmos meses, e também a diferença de juros entre eles. No caso do cheque especial, por exemplo, o devedor está pagando R$ 30,51 a mais de juros em maio 2017 na comparação com maio 2016.

 

Taxa média de juros maio 2017 x maio 2016

Taxa média de juros maio 2017 x maio 2016

 

Cheque especial

A taxa de juros do cheque especial continua em um patamar bastante alto, um pouco abaixo do recorde histórico registrado em novembro, 330,64% ao ano ou 12,94% ao mês. Em maio, a taxa média ficou em 325,07% ao ano, pouco abaixo dos 328,21% de abril, e acima dos 311,48% de um ano atrás. Há quase 4 anos (mai/2013), a taxa era de “apenas” 136,47% ao ano, menos da metade da taxa atual.

Quanto ao spread do cheque especial em relação à taxa Selic média de cada mês, maio apresentou ligeira queda (282,43%) em relação ao recorde histórico de 283,53% ao ano registrado no mês anterior. Estas taxas apresentam-se bastante acima do spread apurado no início do Plano Real, que ficava em torno de 150% a.a. Além disso, representa um aumento de mais de 160 pontos percentuais em quase 4 anos. Em junho de 2013, o spread era de “apenas” 119,58%.

 

Taxa média de juros maio 2017 – Cheque especial

Taxa média de juros maio 2017 – Cheque especial

 

Rotativo do cartão de crédito

Muito pior do que dever no cheque especial é deixar de pagar ou pagar parcialmente a fatura do cartão de crédito. Em maio, a taxa média do rotativo do cartão de crédito ficou em 363,32%, apresentando uma queda significativa em relação a abril (428,08%) e também abaixo da taxa de um ano atrás, maio 2016 (474,71%).

Quanto ao spread em relação à taxa Selic média, este também apresentou queda, registrando 316,84% a.a., enquanto abril havia registrado 372,98%. No início da série histórica (mar/11), o spread era de “apenas” 229,74%.

Ainda que a taxa tenha caído significativamente, vale o alerta que, sob estas condições, se não tiver como pagar o valor integral da fatura do cartão, sempre vale a pena tomar dinheiro emprestado para quitá-la completamente e, obviamente, até a data do vencimento. Os juros pagos serão certamente menores para o mesmo prazo de empréstimo. De certa forma, as instituições financeiras acabam cobrando muitíssimo caro por uma comodidade oferecida aos usuários de cartão de crédito e, estes, por ignorância, por comodidade ou por pura preguiça para pesquisar por outras alternativas de empréstimo, acabam caindo nesta “armadilha”.

 

Taxa média de juros maio 2017 – Rotativo cartão de crédito

Taxa média de juros maio 2017 – Rotativo cartão de crédito

 

Crédito pessoal não-consignado

A taxa média de juros do crédito pessoal não-consignado registrou alta em maio, na comparação com abril: 132,62% contra 129,16% no mês anterior. Vale destacar que a taxa era de “apenas” 66,41% (mínima histórica) em junho de 2012.

Em relação ao spread sobre a taxa Selic média, maio registrou taxa de 109,28% a.a., o que representa uma alta na comparação com abril (105,25%). Na comparação com novembro de 2012 (mínimo histórico de 55,22%), este spread continua bastante elevado: 54 pontos percentuais acima.

Ainda que estas taxas se encontrem em patamar recorde, elas são muito mais baixas do que aquelas cobradas no cheque especial e no rotativo de cartão. Com isto, este tipo de empréstimo passa a ser interessante para aqueles que estão bastante endividados e não conseguem obter dinheiro em modalidades mais baratas, mas menos acessíveis como o crédito consignado. Vale lembrar que, como as taxas de juros variam bastante de um banco para outro, é importante pesquisar as taxas oferecidas para que se possa encontrar a menor possível.

 

Taxa média de juros maio 2017 – Crédito pessoal não-consignado

Taxa média de juros maio 2017 – Crédito pessoal não-consignado

 

Parcelamento do cartão de crédito

Esta é uma modalidade de empréstimo em que o cliente do cartão de crédito tem a possibilidade de pagar a fatura do cartão de forma parcelada. A vantagem aqui é que as taxas são bem mais baixas do que as do rotativo, sendo uma alternativa mais barata do que pagar a fatura de forma parcial. Trata-se também de uma comodidade, pois o cliente só precisa pagar o valor exato da primeira parcela para contratar este empréstimo e as demais parcelas são normalmente cobradas nas próximas faturas do próprio cartão. Por outro lado, é possível que o cliente consiga obter taxas mais baixas no crédito pessoal, principalmente se tiver acesso ao consignado.

No caso do parcelamento de cartão, as taxas de juros vêm subindo fortemente desde o início de 2015, com leves quedas em um ou outro mês, embora não tão rapidamente quanto as do cheque especial. Em maio, a taxa registrou 159,96%, pouco abaixo do recorde histórico de fevereiro, 163,48% a.a. Já o spread, este foi de 133,88%, pouco abaixo do recorde histórico de 134,81% a.a., registrado em abril 2017.
 

Taxa média de juros maio 2017 – Parcelamento cartão de crédito

Taxa média de juros maio 2017 – Parcelamento cartão de crédito

 

Financiamento de veículos

Esta é uma modalidade de crédito diferente das anteriores, pois envolve uma garantia, que é o próprio veículo financiado. E, pelo fato de haver uma garantia envolvida, as taxas de juros neste tipo de empréstimo tendem a ser bem mais baixas.

No gráfico abaixo, mostramos a série completa (que se inicia em junho de 2000) disponibilizada pelo Banco Central. A taxa de juros média do financiamento de veículos, que chegou a ser de 55,53% ao ano em dez/2002 (máxima histórica), baixou para a mínima histórica de 19,47% em jun/13 e, em maio deste ano, passou para 24,25% a.a., um pouco abaixo da taxa de 24,39% a.a. apurada em abril. Apesar da taxa ter subido quase 5 pontos percentuais entre jun/13 e abr/17, vale observar que o spread não apresentou grandes variações (como as observadas nas demais modalidades), mantendo-se entre 10 a 12% ao ano nestes últimos meses.

Uma explicação para este fenômeno é que todo o processo para busca e apreensão do veículo em caso de inadimplemento (quando o devedor deixa de pagar o financiamento) tornou-se mais ágil e, de certa forma, menos custoso às instituições financeiras. Com isto, este custo menor reflete-se também no spread cobrado. Outra explicação pode estar relacionada ao aumento das exigências e a um maior rigor na análise da concessão de crédito, de modo que financiamentos com maior risco de inadimplência (e, portanto, com taxas de juros mais altas) deixaram de ser concedidas.

 

Taxa média de juros maio 2017 – Financiamento de veículos

Taxa média de juros maio 2017 – Financiamento de veículos

 

Crédito pessoal consignado

De certa forma, esta também é uma modalidade de crédito com garantia, pois o desconto da parcela é feito diretamente da folha de pagamento, não chegando nem a entrar na conta bancária do devedor. Os dados do Banco Central são abertos em 3 tipos de crédito consignado, a saber:
– Crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado
– Crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor público
– Crédito pessoal consignado para aposentados e pensionistas do INSS

Como podemos ver nos próximos três gráficos, as taxas do crédito voltado a servidores públicos e pensionistas e aposentados do INSS são mais baixas do que as do crédito voltado aos trabalhadores do setor privado. Novamente, a explicação está relacionada ao risco apresentado por cada tipo de cliente. O trabalhador da iniciativa privada tem a possibilidade de ser demitido, ao contrário do servidor público, de forma que há uma probabilidade maior de se tornar inadimplente, uma vez que ao ser demitido, o desconto em folha não mais ocorrerá. Apesar da empresa poder descontar 35% do valor da rescisão para quitar ou amortizar a dívida e de estar prevista a negociação de uma nova taxa de juros, o risco de inadimplência é maior e isto é refletido em uma taxa de juros mais alta.

 

Taxa média de juros maio 2017 – Crédito consignado setor privado

Taxa média de juros maio 2017 – Crédito consignado setor privado

 

No caso do crédito consignado para os trabalhadores do setor privado (gráfico acima), a taxa de juros passou de 43,24% a.a. em abril para 42,28% a.a. em maio, ainda em patamar próximo ao máximo histórico de 44,55%, registrado em out/16. Analisando o spread em relação à taxa Selic média, este passou de 28,30% a.a. (recorde histórico) para 28,01% a.a.

Quanto ao consignado para servidores públicos, a taxa passou de 26,65% a.a. em abril para 25,97% a.a. em maio, uma leve queda, continuando em patamar bastante próximo do recorde histórico de 27,81% de abril de 2011. Já o spread, passou de 13,44% a.a. para 13,33% a.a. no mesmo período. Ainda assim, o spread encontra-se pouco mais de 1,5 pontos percentuais abaixo do recorde de mar/2012 (15,03%).

No caso do consignado para pensionistas e aposentados do INSS, a taxa passou de 28,33% em abril para 27,83% em maio, ainda abaixo da máxima histórica de 32,07% de mai/11. Quanto ao spread, este passou de 14,94% para 15,01% ao ano, significativamente abaixo do recorde histórico de 19,48%, apurado em mar/12.

 

Taxa média de juros maio 2017 – Crédito consignado setor público

Taxa média de juros maio 2017 – Crédito consignado setor público

 

Taxa média de juros maio 2017 – Crédito consignado INSS

Taxa média de juros maio 2017 – Crédito consignado INSS

 

Dicas

Com as taxas de juros do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito em patamares absurdamente elevados, é absolutamente inviável contrair dívidas nestas modalidades. Para quem está devendo dinheiro nestes tipos de empréstimos, é preciso sair o quanto antes deles, seja vendendo um bem, seja tomando dinheiro emprestado a uma taxa de juros mais baixa. Para quem tem acesso ao crédito consignado, esta é uma das modalidades de crédito com taxas de juros razoavelmente baixas. Outra possibilidade, para quem tem um carro (já quitado) e não pode abrir mão de possuir um, é vendê-lo para poder pagar ao menos parte das dívidas e financiar a compra de outro. Obviamente, a ideia aqui é, na medida do possível, pegar um carro mais barato do que o anterior, afinal, estamos falando de uma pessoa que já está com o orçamento apertado.

Para aqueles que ainda não conseguem fazer um bom planejamento financeiro, vale a pena ler o seguinte texto:

- Dicas para não entrar no cheque especial usando o Minhas Economias

Ainda que você feche as suas contas no vermelho ao final do mês, ao menos você terá uma boa ideia do quanto precisa para pagar as suas contas e poder pegar dinheiro emprestado a uma taxa de juros menor. E, para sair das dívidas, seguem algumas dicas no link abaixo:

- Como sair das dívidas

 
 

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