O Banco Central do Brasil divulgou em 27 de fevereiro os dados relativos às taxas de operação de crédito de janeiro de 2019. As taxas nominais de sete das oito modalidades aqui acompanhadas subiram em relação ao mês anterior. Tanto os juros do crédito rotativo de cartão quanto do cheque especial tiveram alta mais uma vez …

Na comparação mensal, janeiro de 2019 vs. dezembro de 2018, o crédito pessoal não-consignado foi a modalidade que teve a maior alta, com a taxa passando de 107,30% a.a. (6,26% a.m.) para 116,45% a.a. (6,65% a.m.). Com isto, em um empréstimo de R$ 10 mil, os juros no primeiro mês subiram R$ 38,32. Já a alta da taxa do cheque especial, representou uma carga adicional de R$ 6,75 para um crédito de R$ 10 mil.

 

Taxa média de juros janeiro 2019 x dezembro 2018

Taxa média de juros janeiro 2019 x dezembro 2018

 

Na tabela abaixo, mostramos as taxas de juros de algumas modalidades de empréstimos e financiamentos no mês de janeiro de 2019 e fazemos uma comparação com o mesmo mês de 2018. Nas 3 últimas colunas, mostramos o quanto se paga de juros em um mês para uma dívida de R$ 10.000 nestes mesmos meses e a diferença de juros entre eles. No caso do cheque especial, por exemplo, o devedor está pagando R$ 20,39 a menos de juros de um ano para cá. Todas as modalidades apresentaram queda nas taxas neste período, com o rotativo do cartão de crédito como destaque, passando de 329,19% a.a. para 286,93%, representando um alívio mensal de R$ 97,11 para cada R$ 10.000 de dívida no bolso dos devedores.

 

Taxa média de juros janeiro 2019 x janeiro 2018

Taxa média de juros janeiro 2019 x janeiro 2018

 

Cheque especial

A taxa de juros do cheque especial continua em um patamar bastante alto, apenas 15,06 pontos percentuais abaixo do recorde histórico registrado em novembro de 2016, que é de 330,64% ao ano. Em janeiro, a taxa média ficou em 315,58% ao ano, acima dos 312,60% do mês anterior e abaixo dos 324,70% de um ano atrás. Há pouco mais de 5 anos (mai/2013), a taxa era de “apenas” 136,47% ao ano, menos da metade da taxa atual.

Quanto ao spread do cheque especial em relação à taxa Selic média de cada mês, a taxa de 290,58% deste mês apresenta-se apenas 7,83 pontos percentuais abaixo do recorde da série histórica (298,41%) ocorrida em março/18. Estas taxas ainda estão bastante acima do spread apurado no início do Plano Real, que era de 67,83% (jul/94).

 

Taxa média de juros janeiro 2019 – Cheque especial

Taxa média de juros janeiro 2019 – Cheque especial

 

Rotativo do cartão de crédito

Até poucos meses atrás, as taxas do crédito rotativo de cartão eram significativamente mais altas do que as do cheque especial, mas agora, com a queda significativa ocorrida após as novas regras de cartão de crédito entrarem em vigor, suas taxas estão em um patamar mais baixo. Neste mês, a taxa média do rotativo do cartão de crédito ficou em 286,93%, apresentando alta em relação ao mês anterior (285,39%), e baixa bastante significativa em relação a um ano atrás (329,19%).

Quanto ao spread em relação à taxa Selic média, este apresentou alta, registrando 263,66% a.a., enquanto no mês anterior havia registrado 262,21%. 12 meses atrás, o spread era de 301,49%. No nível mais baixo da série histórica, em janeiro de 2013, o spread era de “apenas” 226,91%.

Ainda que a taxa tenha caído significativamente, vale o alerta que, sob estas condições, se não tiver como pagar o valor integral da fatura do cartão, sempre vale a pena tomar dinheiro emprestado para quitá-la completamente e, obviamente, até a data do vencimento. Os juros pagos serão certamente menores para o mesmo prazo de empréstimo. De certa forma, as instituições financeiras acabam cobrando muitíssimo caro por uma comodidade oferecida aos usuários de cartão de crédito e, estes, por ignorância, por comodidade ou por pura preguiça para pesquisar por alternativas de empréstimo, acabam caindo nesta “armadilha”.

 

Taxa média de juros janeiro 2019 – Rotativo cartão de crédito

Taxa média de juros janeiro 2019 – Rotativo cartão de crédito

 

Crédito pessoal não-consignado

A taxa média de juros do crédito pessoal não-consignado subiu significativamente na comparação com o mês anterior: 116,45% contra 107,30%. Vale destacar que a taxa era de “apenas” 66,30% (mínima histórica) em novembro de 2012.

Em relação ao spread sobre a taxa Selic média, este mês registrou taxa de 103,43% a.a., acima do registrado no mês anterior: 94,83%. Na comparação com junho de 2012 (mínimo histórico de 53,53%), este spread está ainda bastante elevado: 49,90 pontos percentuais acima.

Ainda que estas taxas se encontrem em patamar recorde, elas são muito mais baixas do que aquelas cobradas no cheque especial e no rotativo de cartão. Com isto, este tipo de empréstimo passa a ser interessante para aqueles que estão bastante endividados e não conseguem obter dinheiro em modalidades mais baratas, mas menos acessíveis como o crédito consignado. Vale lembrar que, como as taxas de juros variam bastante de um banco para outro, é importante pesquisar as taxas oferecidas para que se possa encontrar a menor possível.

 

Taxa média de juros janeiro 2019 – Crédito pessoal não-consignado

Taxa média de juros janeiro 2019 – Crédito pessoal não-consignado

 

Parcelamento do cartão de crédito

No caso do parcelamento de cartão, as taxas de juros vêm subindo desde o início de 2015, com leves quedas em um ou outro mês. Em janeiro, a taxa registrou 163,07%, 4,16 pontos percentuais acima da taxa do mês anterior e 12,34 pontos percentuais abaixo do recorde histórico de 175,41% registrado em fevereiro. Em relação a um ano atrás, a taxa ficou 4,82 pontos percentuais abaixo da taxa de um ano atrás: 167,89%.

Já o spread, este chegou a 147,25%, 10,79 pontos percentuais abaixo do recorde histórico de 158,04%, registrado em fevereiro e 3,35 pontos percentuais abaixo do spread de um ano atrás.

 

Taxa média de juros janeiro 2019 – Parcelamento cartão de crédito

Taxa média de juros janeiro 2019 – Parcelamento cartão de crédito


 

Financiamento de veículos

Esta é uma modalidade de crédito diferente das anteriores, pois envolve uma garantia, que é o próprio veículo financiado. E, pelo fato de haver uma garantia envolvida, as taxas de juros neste tipo de empréstimo tendem a ser bem mais baixas.

No gráfico abaixo, mostramos a série completa (que se inicia em junho de 2000) disponibilizada pelo Banco Central. A taxa de juros média do financiamento de veículos, que chegou a ser de 55,53% ao ano em dez/2002 (máxima histórica), baixou para a mínima histórica de 19,47% em jun/13 e, agora, passou para 22,36% a.a., 0,68 pontos acima do mês anterior. Quanto ao spread em relação à taxa Selic, este passou de 9,32% ao ano em ago/2015 para 15,00% neste mês, 0,64 pontos acima do mês anterior. Ainda assim, trata-se um spread bastante baixo na comparação com as demais modalidades.

Uma explicação para este fenômeno é que todo o processo para busca e apreensão do veículo em caso de inadimplemento (quando o devedor deixa de pagar o financiamento) tornou-se mais ágil e, de certa forma, menos custoso às instituições financeiras. Com isto, este custo menor reflete-se também no spread cobrado. Outra explicação pode estar relacionada ao aumento das exigências e a um maior rigor na análise da concessão de crédito, de modo que financiamentos com maior risco de inadimplência (e, portanto, com taxas de juros mais altas) deixaram de ser concedidas.

 

Taxa média de juros janeiro 2019 – Financiamento de veículos

Taxa média de juros janeiro 2019 – Financiamento de veículos

 

Crédito pessoal consignado

De certa forma, esta também é uma modalidade de crédito com garantia, pois o desconto da parcela é feito diretamente da folha de pagamento, não chegando nem a entrar na conta bancária do devedor. Os dados do Banco Central são abertos em 3 tipos de crédito consignado, a saber:
– Crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado
– Crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor público
– Crédito pessoal consignado para aposentados e pensionistas do INSS

Como podemos ver nos próximos três gráficos, as taxas do crédito voltado a servidores públicos e pensionistas e aposentados do INSS são mais baixas do que as do crédito voltado aos trabalhadores do setor privado. Novamente, a explicação está relacionada ao risco apresentado por cada tipo de cliente. O trabalhador da iniciativa privada tem a possibilidade de ser demitido, ao contrário do servidor público, de forma que há uma probabilidade maior de se tornar inadimplente, uma vez que ao ser demitido, o desconto em folha não mais ocorrerá. Apesar da empresa poder descontar 35% do valor da rescisão para quitar ou amortizar a dívida e de estar prevista a negociação de uma nova taxa de juros, o risco de inadimplência é maior e isto é refletido em uma taxa de juros mais alta.

 

Taxa média de juros janeiro 2019 – Crédito consignado setor privado

Taxa média de juros janeiro 2019 – Crédito consignado setor privado

 

No caso do crédito consignado para os trabalhadores do setor privado (gráfico acima), a taxa de juros subiu para 37,52% a.a. neste mês, ainda em patamar não muito distante da taxa máxima histórica de 44,55%, registrado em out/16. Analisando o spread em relação à taxa Selic média, este subiu para 29,25%.

Quanto ao consignado para servidores públicos, a taxa manteve-se em 22,19% na comparação mensal, 5,62 pontos percentuais abaixo do recorde histórico de 27,81% de abril de 2011. Já o spread, continuou em 14,84%, 1,76 pontos percentuais abaixo do recorde histórico de 16,60%, registrado em fevereiro.

No caso do consignado para pensionistas e aposentados do INSS, a taxa subiu 0,01 pontos percentuais na comparação mensal, de 25,26% para 25,27%, e caiu 1,62 pontos percentuais na comparação anual. Quanto ao spread, este manteve-se em 17,73% ao ano na comparação mensal, 1,74 p.p. abaixo do recorde histórico de 19,48%, apurado em mar/12.

 

Taxa média de juros janeiro 2019 – Crédito consignado setor público

Taxa média de juros janeiro 2019 – Crédito consignado setor público

 

Taxa média de juros janeiro 2019 – Crédito consignado INSS

Taxa média de juros janeiro 2019 – Crédito consignado INSS

 

Dicas

Com as taxas de juros do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito em patamares absurdamente elevados, é absolutamente inviável contrair dívidas nestas modalidades. Para quem está devendo dinheiro nestes tipos de empréstimos, é preciso sair o quanto antes deles, seja vendendo um bem, seja tomando dinheiro emprestado a uma taxa de juros mais baixa. Para quem tem acesso ao crédito consignado, esta é uma das modalidades de crédito com taxas de juros razoavelmente baixas. Outra possibilidade, para quem tem um carro (já quitado) e não pode abrir mão de possuir um, é vendê-lo para poder pagar ao menos parte das dívidas e financiar a compra de outro. Obviamente, a ideia aqui é, na medida do possível, pegar um carro mais barato do que o anterior, afinal, estamos falando de uma pessoa que já está com o orçamento apertado.

Para aqueles que ainda não conseguem fazer um bom planejamento financeiro, vale a pena ler o seguinte texto:

- Dicas para não entrar no cheque especial usando o Minhas Economias

Ainda que você feche as suas contas no vermelho ao final do mês, ao menos você terá uma boa ideia do quanto precisa para pagar as suas contas e poder pegar dinheiro emprestado a uma taxa de juros menor. E, para sair das dívidas, seguem algumas dicas no link abaixo:

- Como sair das dívidas