O Banco Central do Brasil divulgou em 24 de agosto os dados relativos às taxas de operação de crédito do mês de julho. A taxa de juros média do cheque especial apresentou uma ligeira queda, ao contrário da taxa do rotativo de cartão de crédito que teve forte alta, passando de 380,77% ao ano em junho para 399,05% a.a. em julho.

Com a alta na taxa do rotativo do cartão de crédito, quem deixou de pagar R$ 10.000 da fatura para serem pagos apenas no mês seguinte, passará a pagar R$ 1.433,49, só de juros, contra R$ 1.397,09 no mês anterior, R$ 35,50 a mais. No cheque especial, os mesmos R$ 10 mil custariam R$ 1.273,25 de juros em julho contra R$ 1.276,04 em junho.

À exceção do financiamento de veículos e do cheque especial, todas as modalidades de crédito apresentaram alta em suas taxas, sendo que o rotativo de cartão de crédito foi o que apresentou a maior alta. Em seguida, aparece o crédito pessoal não-consignado, cuja taxa média ficou em 132,18% ao ano (ou 7,27% ao mês) em julho contra 124,97% a.a (6,99% a.m.) em junho, o que representou um aumento de R$ 28,16 mensais para um empréstimo de R$ 10 mil.

Nesta próxima tabela, comparamos as taxas de juros entre os meses de julho e junho de 2017. Nela, pode-se ver que a maior parte das modalidades apresentou alta nas taxas de um mês para outro. As modalidades que apresentaram redução nas taxas, Financiamento de veículos e Cheque especial, tiveram quedas apenas marginais.

 

Taxa média de juros julho 2017 x junho 2017

Taxa média de juros julho 2017 x junho 2017

 

Na tabela abaixo, mostramos as taxas de juros de algumas modalidades de empréstimos e financiamentos no mês de julho de 2017 e fazemos uma comparação com o mesmo mês de 2016. Nas 3 últimas colunas, mostramos o quanto se paga de juros em um mês para uma dívida de R$ 10.000 nestes mesmos meses, e também a diferença de juros entre eles. No caso do cheque especial, por exemplo, o devedor está pagando R$ 6,42 a mais de juros em julho 2017 na comparação com julho 2016. Apesar da redução de 4 pontos percentuais da Taxa Selic neste período, apenas o rotativo de cartão de crédito apresentou redução superior, passando de 469,76% a.a. para 399,05%, representando um alívio mensal de R$ 126,95 no bolso dos devedores.

 

Taxa média de juros julho 2017 x julho 2016

Taxa média de juros julho 2017 x julho 2016

 

Cheque especial

A taxa de juros do cheque especial continua em um patamar bastante alto, um pouco abaixo do recorde histórico registrado em novembro, 330,64% ao ano ou 12,94% ao mês. Em julho, a taxa média ficou em 321,30% ao ano, pouco abaixo dos 322,55% de junho, e acima dos 318,43% de um ano atrás. Há pouco mais de 4 anos (mai/2013), a taxa era de “apenas” 136,47% ao ano, menos da metade da taxa atual.

Quanto ao spread do cheque especial em relação à taxa Selic média de cada mês, julho apresentou ligeira baixa (282,81%) em relação à taxa de junho (283,45%), ficando pouco abaixo do recorde histórico de 283,53% ao ano registrado em abril de 2017. Estas taxas apresentam-se bastante acima do spread apurado no início do Plano Real, que ficava em torno de 150% a.a. Além disso, representa um aumento de mais de 160 pontos percentuais em 4 anos. Em junho de 2013, o spread era de “apenas” 119,58%.

 

Taxa média de juros julho 2017 – Cheque especial

Taxa média de juros julho 2017 – Cheque especial

 

Rotativo do cartão de crédito

Muito pior do que dever no cheque especial é deixar de pagar ou pagar parcialmente a fatura do cartão de crédito. Em julho, a taxa média do rotativo do cartão de crédito ficou em 399,05%, apresentando alta em relação a junho (380,77%), mas bastante abaixo da taxa de um ano atrás, julho 2016 (469,76%).

Quanto ao spread em relação à taxa Selic média, este também apresentou leve alta, registrando 353,46% a.a., enquanto no mês anterior havia registrado 336,28%. Em julho 2016, o spread era de 399,13%. No início da série histórica (mar/11), o spread era de “apenas” 229,74%.

Ainda que a taxa tenha caído significativamente, vale o alerta que, sob estas condições, se não tiver como pagar o valor integral da fatura do cartão, sempre vale a pena tomar dinheiro emprestado para quitá-la completamente e, obviamente, até a data do vencimento. Os juros pagos serão certamente menores para o mesmo prazo de empréstimo. De certa forma, as instituições financeiras acabam cobrando muitíssimo caro por uma comodidade oferecida aos usuários de cartão de crédito e, estes, por ignorância, por comodidade ou por pura preguiça para pesquisar por outras alternativas de empréstimo, acabam caindo nesta “armadilha”.

 

Taxa média de juros julho 2017 – Rotativo cartão de crédito

Taxa média de juros julho 2017 – Rotativo cartão de crédito

 

Crédito pessoal não-consignado

A taxa média de juros do crédito pessoal não-consignado registrou alta em julho, na comparação com o mês anterior: 132,18% contra 124,97%. Vale destacar que a taxa era de “apenas” 66,41% (mínima histórica) em junho de 2012.

Em relação ao spread sobre a taxa Selic média, julho registrou taxa de 110,97% a.a., o que representa uma alta na comparação com o mês anterior (104,15%). Na comparação com novembro de 2012 (mínimo histórico de 55,22%), este spread continua bastante elevado: 55 pontos percentuais acima.

Ainda que estas taxas se encontrem em patamar recorde, elas são muito mais baixas do que aquelas cobradas no cheque especial e no rotativo de cartão. Com isto, este tipo de empréstimo passa a ser interessante para aqueles que estão bastante endividados e não conseguem obter dinheiro em modalidades mais baratas, mas menos acessíveis como o crédito consignado. Vale lembrar que, como as taxas de juros variam bastante de um banco para outro, é importante pesquisar as taxas oferecidas para que se possa encontrar a menor possível.

 

Taxa média de juros julho 2017 – Crédito pessoal não-consignado

Taxa média de juros julho 2017 – Crédito pessoal não-consignado

 

Parcelamento do cartão de crédito

Esta é uma modalidade de empréstimo em que o cliente do cartão de crédito tem a possibilidade de pagar a fatura do cartão de forma parcelada. A vantagem aqui é que as taxas são bem mais baixas do que as do rotativo, sendo uma alternativa mais barata do que pagar a fatura de forma parcial. Trata-se também de uma comodidade, pois o cliente só precisa pagar o valor exato da primeira parcela para contratar este empréstimo e as demais parcelas são normalmente cobradas nas próximas faturas do próprio cartão. Por outro lado, é possível que o cliente consiga obter taxas mais baixas no crédito pessoal, principalmente se tiver acesso ao consignado.

No caso do parcelamento de cartão, as taxas de juros vêm subindo desde o início de 2015, com leves quedas em um ou outro mês. Em julho, a taxa registrou 159,49%, pouco abaixo do recorde histórico de fevereiro, 163,48% a.a. Já o spread, este chegou a 135,78%, novo recorde histórico.
 

Taxa média de juros julho 2017 – Parcelamento cartão de crédito

Taxa média de juros julho 2017 – Parcelamento cartão de crédito

 

Financiamento de veículos

Esta é uma modalidade de crédito diferente das anteriores, pois envolve uma garantia, que é o próprio veículo financiado. E, pelo fato de haver uma garantia envolvida, as taxas de juros neste tipo de empréstimo tendem a ser bem mais baixas.

No gráfico abaixo, mostramos a série completa (que se inicia em junho de 2000) disponibilizada pelo Banco Central. A taxa de juros média do financiamento de veículos, que chegou a ser de 55,53% ao ano em dez/2002 (máxima histórica), baixou para a mínima histórica de 19,47% em jun/13 e, em julho deste ano, passou para 23,79% a.a., um pouco abaixo da taxa de 24,03% a.a. apurada em no mês anterior. Apesar da taxa ter subido pouco mais de 4 pontos percentuais entre jun/13 e jul/17, vale observar que o spread não apresentou grandes variações (como as observadas nas demais modalidades), mantendo-se entre 10 a 13% ao ano nestes últimos meses.

Uma explicação para este fenômeno é que todo o processo para busca e apreensão do veículo em caso de inadimplemento (quando o devedor deixa de pagar o financiamento) tornou-se mais ágil e, de certa forma, menos custoso às instituições financeiras. Com isto, este custo menor reflete-se também no spread cobrado. Outra explicação pode estar relacionada ao aumento das exigências e a um maior rigor na análise da concessão de crédito, de modo que financiamentos com maior risco de inadimplência (e, portanto, com taxas de juros mais altas) deixaram de ser concedidas.

 

Taxa média de juros julho 2017 – Financiamento de veículos

Taxa média de juros julho 2017 – Financiamento de veículos

 

Crédito pessoal consignado

De certa forma, esta também é uma modalidade de crédito com garantia, pois o desconto da parcela é feito diretamente da folha de pagamento, não chegando nem a entrar na conta bancária do devedor. Os dados do Banco Central são abertos em 3 tipos de crédito consignado, a saber:
– Crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado
– Crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor público
– Crédito pessoal consignado para aposentados e pensionistas do INSS

Como podemos ver nos próximos três gráficos, as taxas do crédito voltado a servidores públicos e pensionistas e aposentados do INSS são mais baixas do que as do crédito voltado aos trabalhadores do setor privado. Novamente, a explicação está relacionada ao risco apresentado por cada tipo de cliente. O trabalhador da iniciativa privada tem a possibilidade de ser demitido, ao contrário do servidor público, de forma que há uma probabilidade maior de se tornar inadimplente, uma vez que ao ser demitido, o desconto em folha não mais ocorrerá. Apesar da empresa poder descontar 35% do valor da rescisão para quitar ou amortizar a dívida e de estar prevista a negociação de uma nova taxa de juros, o risco de inadimplência é maior e isto é refletido em uma taxa de juros mais alta.

 

Taxa média de juros julho 2017 – Crédito consignado setor privado

Taxa média de juros julho 2017 – Crédito consignado setor privado

 

No caso do crédito consignado para os trabalhadores do setor privado (gráfico acima), a taxa de juros passou de 41,78% a.a. em junho para 42,11% a.a. em julho, ainda em patamar próximo ao máximo histórico de 44,55%, registrado em out/16. Analisando o spread em relação à taxa Selic média, este registrou o recorde histórico em julho: 29,13% ao ano.

Quanto ao consignado para servidores públicos, a taxa passou de 25,79% a.a. em junho para 25,82% a.a. em julho, uma leve alta, continuando em patamar bastante próximo do recorde histórico de 27,81% de abril de 2011. Já o spread, passou de 14,15% a.a. para 14,33% a.a. no mesmo período, próximo ao recorde histórico de 15,03% registrado em março de 2012.

No caso do consignado para pensionistas e aposentados do INSS, a taxa passou de 27,76% em junho, para 27,79% em julho, significativamente abaixo da máxima histórica de 32,07% de mai/11. Quanto ao spread, este passou de 15,94% para 16,12% ao ano, significativamente abaixo do recorde histórico de 19,48%, apurado em mar/12.

 

Taxa média de juros julho 2017 – Crédito consignado setor público

Taxa média de juros julho 2017 – Crédito consignado setor público

 

Taxa média de juros julho 2017 – Crédito consignado INSS

Taxa média de juros julho 2017 – Crédito consignado INSS

 

Dicas

Com as taxas de juros do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito em patamares absurdamente elevados, é absolutamente inviável contrair dívidas nestas modalidades. Para quem está devendo dinheiro nestes tipos de empréstimos, é preciso sair o quanto antes deles, seja vendendo um bem, seja tomando dinheiro emprestado a uma taxa de juros mais baixa. Para quem tem acesso ao crédito consignado, esta é uma das modalidades de crédito com taxas de juros razoavelmente baixas. Outra possibilidade, para quem tem um carro (já quitado) e não pode abrir mão de possuir um, é vendê-lo para poder pagar ao menos parte das dívidas e financiar a compra de outro. Obviamente, a ideia aqui é, na medida do possível, pegar um carro mais barato do que o anterior, afinal, estamos falando de uma pessoa que já está com o orçamento apertado.

Para aqueles que ainda não conseguem fazer um bom planejamento financeiro, vale a pena ler o seguinte texto:

- Dicas para não entrar no cheque especial usando o Minhas Economias

Ainda que você feche as suas contas no vermelho ao final do mês, ao menos você terá uma boa ideia do quanto precisa para pagar as suas contas e poder pegar dinheiro emprestado a uma taxa de juros menor. E, para sair das dívidas, seguem algumas dicas no link abaixo:

- Como sair das dívidas

 
 

Caso queira comentar este e outros textos, por favor, encaminhe uma mensagem para contato@minhaseconomias.com.br