O Banco Central do Brasil divulgou em 27 de março os dados relativos às taxas de operação de crédito de março de 2019. As taxas nominais de quatro das oito modalidades aqui acompanhadas subiram em relação ao mês anterior. Tanto os juros do crédito rotativo de cartão quanto do cheque especial tiveram alta mais uma vez …

Na comparação mensal, março de 2019 vs. fevereiro de 2019, o parcelamento de cartão de crédito foi a modalidade que teve a maior alta, com a taxa passando de 170,47% a.a. (8,65% a.m.) para 178,41% a.a. (8,91% a.m.). Com isto, em um empréstimo de R$ 10 mil, os juros no primeiro mês subiram R$ 26,23. Já a alta da taxa do cheque especial, representou uma carga adicional de R$ 10,75 para um crédito de R$ 10 mil.

 

Taxa média de juros março 2019 x fevereiro 2019

Taxa média de juros março 2019 x fevereiro 2019

 

Na tabela abaixo, mostramos as taxas de juros de algumas modalidades de empréstimos e financiamentos no mês de março de 2019 e fazemos uma comparação com o mesmo mês de 2018. Nas 3 últimas colunas, mostramos o quanto se paga de juros em um mês para uma dívida de R$ 10.000 nestes mesmos meses e a diferença de juros entre eles. No caso do cheque especial, por exemplo, o devedor está pagando R$ 4,28 ao mês a menos de juros de um ano para cá. Todas as modalidades, exceto o cartão de crédito parcelado, apresentaram queda nas taxas neste período, com o rotativo do cartão de crédito como destaque, passando de 334,87% a.a. para 299,45%, representando um alívio mensal de R$ 79,74 para cada R$ 10.000 de dívida no bolso dos devedores.

 

Taxa média de juros março 2019 x março 2018

Taxa média de juros março 2019 x março 2018

 

Cheque especial

Tanto a taxa do cheque especial quanto o seu spread continuam em trajetória de alta, aproximando-se de seus recordes históricos. Já são 5 meses consecutivos de alta.

 

Taxa média de juros março 2019 – Cheque especial

Taxa média de juros março 2019 – Cheque especial

 

Rotativo do cartão de crédito

Até poucos meses atrás, a taxas do crédito rotativo de cartão era significativamente mais alta do que a do cheque especial, mas agora, com a queda significativa ocorrida após as novas regras de cartão de crédito entrarem em vigor, ela encontra-se em um patamar mais baixo. No entanto, nos últimos cinco meses, a taxa e o spread do rotativo de cartão têm apenas subido.
 

Taxa média de juros março 2019 – Rotativo cartão de crédito

Taxa média de juros março 2019 – Rotativo cartão de crédito

 

Crédito pessoal não-consignado

A taxa média de juros do crédito pessoal não-consignado subiu na comparação com o mês anterior: 123,71% vs. 122,49%, o mesmo ocorrendo com o seu spread: 110,25% vs. 109,11%.

Ainda que estas taxas tenham subido, elas são muito mais baixas do que aquelas cobradas no cheque especial e no rotativo de cartão. Com isto, este tipo de empréstimo passa a ser interessante para aqueles que estão bastante endividados e não conseguem obter dinheiro em modalidades mais baratas, mas menos acessíveis como o crédito consignado. Vale lembrar que, como as taxas de juros variam bastante de um banco para outro, é importante pesquisar as taxas oferecidas para que se possa encontrar a menor possível.

 

Taxa média de juros março 2019 – Crédito pessoal não-consignado

Taxa média de juros março 2019 – Crédito pessoal não-consignado

 

Parcelamento do cartão de crédito

No caso do parcelamento de cartão, a taxa de juros e o spread também apresentam tendência de alta, registrando as máximas históricas neste mês de março, 178,41% e 161,66%.

 

Taxa média de juros março 2019 – Parcelamento cartão de crédito

Taxa média de juros março 2019 – Parcelamento cartão de crédito


 

Financiamento de veículos

Esta é uma modalidade de crédito diferente das anteriores, pois envolve uma garantia, que é o próprio veículo financiado. E, pelo fato de haver uma garantia envolvida, as taxas de juros neste tipo de empréstimo tendem a ser bem mais baixas.

No gráfico abaixo, mostramos a série completa (que se inicia em junho de 2000) disponibilizada pelo Banco Central. A taxa de juros média do financiamento de veículos, que chegou a ser de 55,53% ao ano em dez/2002 (máxima histórica), baixou para a mínima histórica de 19,47% em jun/13 e, agora, passou para 21,38% a.a., 0,63 pontos abaixo do mês anterior. Quanto ao spread em relação à taxa Selic, este passou de 9,32% ao ano em ago/2015 para 14,08% neste mês, 0,59 pontos abaixo do mês anterior.

Uma explicação para este fenômeno é que todo o processo para busca e apreensão do veículo em caso de inadimplemento (quando o devedor deixa de pagar o financiamento) tornou-se mais ágil e, de certa forma, menos custoso às instituições financeiras. Com isto, este custo menor reflete-se também no spread cobrado. Outra explicação pode estar relacionada ao aumento das exigências e a um maior rigor na análise da concessão de crédito, de modo que financiamentos com maior risco de inadimplência (e, portanto, com taxas de juros mais altas) deixaram de ser concedidas.

 

Taxa média de juros março 2019 – Financiamento de veículos

Taxa média de juros março 2019 – Financiamento de veículos[/caption]

 

Crédito pessoal consignado

De certa forma, esta também é uma modalidade de crédito com garantia, pois o desconto da parcela é feito diretamente da folha de pagamento, não chegando nem a entrar na conta bancária do devedor. Os dados do Banco Central são abertos em 3 tipos de crédito consignado, a saber:
– Crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado
– Crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor público
– Crédito pessoal consignado para aposentados e pensionistas do INSS

Como podemos ver nos próximos três gráficos, as taxas do crédito voltado a servidores públicos e pensionistas e aposentados do INSS são mais baixas do que as do crédito voltado aos trabalhadores do setor privado. Novamente, a explicação está relacionada ao risco apresentado por cada tipo de cliente. O trabalhador da iniciativa privada tem a possibilidade de ser demitido, ao contrário do servidor público, de forma que há uma probabilidade maior de se tornar inadimplente, uma vez que ao ser demitido, o desconto em folha não mais ocorrerá. Apesar da empresa poder descontar 35% do valor da rescisão para quitar ou amortizar a dívida e de estar prevista a negociação de uma nova taxa de juros, o risco de inadimplência é maior e isto é refletido em uma taxa de juros mais alta.

 

[caption id="attachment_24671" align="aligncenter" width="762"]Taxa média de juros março 2019 – Crédito consignado setor privado Taxa média de juros março 2019 – Crédito consignado setor privado

 

No caso do crédito consignado para os trabalhadores do setor privado (gráfico acima), a taxa de juros passou para 37,65% a.a. neste mês, ainda em patamar não muito distante da taxa máxima histórica de 44,55%, registrado em out/16. Analisando o spread em relação à taxa Selic média, este passou para 29,37%.

Quanto ao consignado para servidores públicos, a taxa passou para 21,45%, taxa mínima histórica, 6,36 pontos percentuais abaixo da máxima histórica. Já o spread, passou a 14,14%, 2,45 pontos percentuais abaixo do recorde histórico de 16,60%, registrado em fevereiro de 2018.

No caso do consignado para pensionistas e aposentados do INSS, a taxa caiu 0,65 pontos percentuais na comparação mensal, de 25,35% para 24,70%, atingindo a taxa mínima histórica. Quanto ao spread, este passou para 17,20% ao ano na comparação mensal, 2,28 p.p. abaixo do recorde histórico de 19,48%, apurado em mar/12.

 

Taxa média de juros março 2019 – Crédito consignado setor público

Taxa média de juros março 2019 – Crédito consignado setor público

 

Taxa média de juros março 2019 – Crédito consignado INSS

Taxa média de juros março 2019 – Crédito consignado INSS

 

Dicas

Com as taxas de juros do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito em patamares absurdamente elevados, é absolutamente inviável contrair dívidas nestas modalidades. Para quem está devendo dinheiro nestes tipos de empréstimos, é preciso sair o quanto antes deles, seja vendendo um bem, seja tomando dinheiro emprestado a uma taxa de juros mais baixa. Para quem tem acesso ao crédito consignado, esta é uma das modalidades de crédito com taxas de juros razoavelmente baixas. Outra possibilidade, para quem tem um carro (já quitado) e não pode abrir mão de possuir um, é vendê-lo para poder pagar ao menos parte das dívidas e financiar a compra de outro. Obviamente, a ideia aqui é, na medida do possível, pegar um carro mais barato do que o anterior, afinal, estamos falando de uma pessoa que já está com o orçamento apertado.

Para aqueles que ainda não conseguem fazer um bom planejamento financeiro, vale a pena ler o seguinte texto:

- Dicas para não entrar no cheque especial usando o Minhas Economias

Ainda que você feche as suas contas no vermelho ao final do mês, ao menos você terá uma boa ideia do quanto precisa para pagar as suas contas e poder pegar dinheiro emprestado a uma taxa de juros menor. E, para sair das dívidas, seguem algumas dicas no link abaixo:

- Como sair das dívidas