O Banco Central do Brasil divulgou em 26 de abril os dados relativos às taxas de operação de crédito do mês de março. As taxas nominais de quase todas as modalidades caíram em relação a 12 meses atrás, o que era esperado com os sucessivos cortes da taxa Selic. O problema é que os spreads, os diferenciais entre a taxa de empréstimo e a taxa Selic, não caíram de forma significativa para maioria das modalidades.

Na comparação mensal, março de 2018 vs. fevereiro de 2018, seis das oito modalidades registraram queda da taxa nominal, com destaque para o parcelamento do cartão de crédito, cuja taxa passou de 174,32% a.a. (8,77% a.m.) para 169,33% a.a. (8,61% a.m.). Com isto, em um empréstimo de R$ 10 mil, os juros no primeiro mês caíram em R$ 16,63.

 

Taxa média de juros março 2018 x fevereiro 2018

Taxa média de juros março 2018 x fevereiro 2018

 

Na tabela abaixo, mostramos as taxas de juros de algumas modalidades de empréstimos e financiamentos no mês de março de 2018 e fazemos uma comparação com o mesmo mês de 2017. Nas 3 últimas colunas, mostramos o quanto se paga de juros em um mês para uma dívida de R$ 10.000 nestes mesmos meses, e também a diferença de juros entre eles. No caso do cheque especial, por exemplo, o devedor está pagando R$ 7,24 a menos de juros de um ano para cá. Com exceção do cartão de crédito parcelado, todas as modalidades apresentaram queda nas taxas neste período, com o rotativo do cartão de crédito como destaque, passando de 490,33% a.a. para 334,46%, representando um alívio mensal de R$ 292,47 para cada R$ 10.000 de dívida no bolso dos devedores.

 

Taxa média de juros março 2018 x março 2017

Taxa média de juros março 2018 x março 2017

 

Cheque especial

A taxa de juros do cheque especial continua em um patamar bastante alto, 5,97 pontos percentuais abaixo do recorde histórico registrado em novembro de 2016, 330,64% ao ano. Em março deste ano, a taxa média ficou em 324,67% ao ano, pouco acima dos 324,12% de fevereiro e abaixo dos 327,95% de um ano atrás. Há pouco mais de 4 anos (mai/2013), a taxa era de “apenas” 136,47% ao ano, menos da metade da taxa atual.

Quanto ao spread do cheque especial em relação à taxa Selic média de cada mês, este mês apresentou novo recorde da série histórica (298,41%), pouco acima do recorde anterior ocorrido em fevereiro (297,36% ao ano). Estas taxas apresentam-se bastante acima do spread apurado no início do Plano Real, que ficava em torno de 150% a.a. Além disso, representa um aumento de mais de 170 pontos percentuais em 4 anos. Em julho de 2013, o spread era de “apenas” 119,58%.

 

Taxa média de juros março 2018 – Cheque especial

Taxa média de juros março 2018 – Cheque especial

 

Rotativo do cartão de crédito

Muito pior do que dever no cheque especial é deixar de pagar ou pagar parcialmente a fatura do cartão de crédito. Neste mês, a taxa média do rotativo do cartão de crédito ficou em 334,46%, apresentando alta em relação ao mês anterior (332,43%), mas redução significativa em relação a 12 meses atrás (490,33%).

Quanto ao spread em relação à taxa Selic média, este apresentou alta, registrando 307,60% a.a., enquanto no mês anterior havia registrado 305,15%. 12 meses atrás, o spread era de 426,38%. No nível mais baixo da série histórica, em janeiro de 2013, o spread era de “apenas” 226,91%.

Ainda que a taxa tenha caído significativamente, vale o alerta que, sob estas condições, se não tiver como pagar o valor integral da fatura do cartão, sempre vale a pena tomar dinheiro emprestado para quitá-la completamente e, obviamente, até a data do vencimento. Os juros pagos serão certamente menores para o mesmo prazo de empréstimo. De certa forma, as instituições financeiras acabam cobrando muitíssimo caro por uma comodidade oferecida aos usuários de cartão de crédito e, estes, por ignorância, por comodidade ou por pura preguiça para pesquisar por outras alternativas de empréstimo, acabam caindo nesta “armadilha”.

 

Taxa média de juros março 2018 – Rotativo cartão de crédito

Taxa média de juros março 2018 – Rotativo cartão de crédito

 

Crédito pessoal não-consignado

A taxa média de juros do crédito pessoal não-consignado registrou leve baixa no mês na comparação com o mês anterior: 124,99% contra 125,66%. Vale destacar que a taxa era de “apenas” 66,30% (mínima histórica) em novembro de 2012.

Em relação ao spread sobre a taxa Selic média, março registrou taxa de 111,08% a.a., o que representa uma leve baixa em relação ao registrado no mês anterior: 111,42%. Na comparação com junho de 2012 (mínimo histórico de 53,53%), este spread está ainda mais elevado: 57,55 pontos percentuais acima.

Ainda que estas taxas se encontrem em patamar recorde, elas são muito mais baixas do que aquelas cobradas no cheque especial e no rotativo de cartão. Com isto, este tipo de empréstimo passa a ser interessante para aqueles que estão bastante endividados e não conseguem obter dinheiro em modalidades mais baratas, mas menos acessíveis como o crédito consignado. Vale lembrar que, como as taxas de juros variam bastante de um banco para outro, é importante pesquisar as taxas oferecidas para que se possa encontrar a menor possível.

 

Taxa média de juros março 2018 – Crédito pessoal não-consignado

Taxa média de juros março 2018 – Crédito pessoal não-consignado

 

Parcelamento do cartão de crédito

No caso do parcelamento de cartão, as taxas de juros vêm subindo desde o início de 2015, com leves quedas em um ou outro mês. Em março, a taxa registrou 169,33%, 4,99 pontos percentuais abaixo do recorde histórico de 174,32% registrado em fevereiro. Por outro lado, a taxa ficou 10,87 pontos percentuais acima da taxa de um ano atrás: 158,46%.

Já o spread, este chegou a 152,68%, 4,34 pontos percentuais abaixo do recorde histórico de 157,01%, registrado em fevereiro, mas 22,22 pontos percentuais acima do spread de um ano atrás.

 

Taxa média de juros março 2018 – Parcelamento cartão de crédito

Taxa média de juros março 2018 – Parcelamento cartão de crédito

 

Financiamento de veículos

Esta é uma modalidade de crédito diferente das anteriores, pois envolve uma garantia, que é o próprio veículo financiado. E, pelo fato de haver uma garantia envolvida, as taxas de juros neste tipo de empréstimo tendem a ser bem mais baixas.

No gráfico abaixo, mostramos a série completa (que se inicia em junho de 2000) disponibilizada pelo Banco Central. A taxa de juros média do financiamento de veículos, que chegou a ser de 55,53% ao ano em dez/2002 (máxima histórica), baixou para a mínima histórica de 19,47% em jun/13 e, agora, passou para 21,75% a.a., um pouco abaixo da taxa de 22,47% a.a. apurada no mês anterior. Quanto ao spread em relação à taxa Selic, este passou de 9,32% ao ano em ago/2015 para 14,74% no mês anterior e 14,22% neste mês. Ainda assim, trata-se um spread bastante baixo na comparação com as demais modalidades.

Uma explicação para este fenômeno é que todo o processo para busca e apreensão do veículo em caso de inadimplemento (quando o devedor deixa de pagar o financiamento) tornou-se mais ágil e, de certa forma, menos custoso às instituições financeiras. Com isto, este custo menor reflete-se também no spread cobrado. Outra explicação pode estar relacionada ao aumento das exigências e a um maior rigor na análise da concessão de crédito, de modo que financiamentos com maior risco de inadimplência (e, portanto, com taxas de juros mais altas) deixaram de ser concedidas.

 

Taxa média de juros março 2018 – Financiamento de veículos

Taxa média de juros março 2018 – Financiamento de veículos

 

Crédito pessoal consignado

De certa forma, esta também é uma modalidade de crédito com garantia, pois o desconto da parcela é feito diretamente da folha de pagamento, não chegando nem a entrar na conta bancária do devedor. Os dados do Banco Central são abertos em 3 tipos de crédito consignado, a saber:
– Crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado
– Crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor público
– Crédito pessoal consignado para aposentados e pensionistas do INSS

Como podemos ver nos próximos três gráficos, as taxas do crédito voltado a servidores públicos e pensionistas e aposentados do INSS são mais baixas do que as do crédito voltado aos trabalhadores do setor privado. Novamente, a explicação está relacionada ao risco apresentado por cada tipo de cliente. O trabalhador da iniciativa privada tem a possibilidade de ser demitido, ao contrário do servidor público, de forma que há uma probabilidade maior de se tornar inadimplente, uma vez que ao ser demitido, o desconto em folha não mais ocorrerá. Apesar da empresa poder descontar 35% do valor da rescisão para quitar ou amortizar a dívida e de estar prevista a negociação de uma nova taxa de juros, o risco de inadimplência é maior e isto é refletido em uma taxa de juros mais alta.

 

Taxa média de juros março 2018 – Crédito consignado setor privado

Taxa média de juros março 2018 – Crédito consignado setor privado

 

No caso do crédito consignado para os trabalhadores do setor privado (gráfico acima), a taxa de juros passou de 41,32%% a.a. no mês anterior para 41,31% a.a. neste mês, ainda em patamar não muito distante da taxa máxima histórica de 44,55%, registrado em out/16. Analisando o spread em relação à taxa Selic média, este registrou alta na variação mensal: de 32,40% ao ano para 32,57%, batendo o recorde histórico anterior do próprio mês anterior.

Quanto ao consignado para servidores públicos, a taxa passou de 24,45% a.a. para 24,25% a.a. na comparação mensal, 3,56 pontos percentuais abaixo do recorde histórico de 27,81% de abril de 2011. Já o spread, caiu para 16,57% a.a., 0,03 pontos percentuais abaixo do recorde histórico de 16,60%, registrado no mês anterior.

No caso do consignado para pensionistas e aposentados do INSS, a taxa caiu 0,20 pontos percentuais na comparação mensal, de 26,89% para 26,69%, e caiu 3,77 pontos percentuais na comparação anual, de 30,46% para 26,69%. Quanto ao spread, este passou de 18,89% para 18,86% ao ano na comparação mensal, ainda abaixo do recorde histórico de 19,48%, apurado em mar/12, mas mostrando claramente uma tendência de alta.

 

Taxa média de juros março 2018 – Crédito consignado setor público

Taxa média de juros março 2018 – Crédito consignado setor público

 

Taxa média de juros março 2018 – Crédito consignado INSS

Taxa média de juros março 2018 – Crédito consignado INSS

 

Dicas

Com as taxas de juros do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito em patamares absurdamente elevados, é absolutamente inviável contrair dívidas nestas modalidades. Para quem está devendo dinheiro nestes tipos de empréstimos, é preciso sair o quanto antes deles, seja vendendo um bem, seja tomando dinheiro emprestado a uma taxa de juros mais baixa. Para quem tem acesso ao crédito consignado, esta é uma das modalidades de crédito com taxas de juros razoavelmente baixas. Outra possibilidade, para quem tem um carro (já quitado) e não pode abrir mão de possuir um, é vendê-lo para poder pagar ao menos parte das dívidas e financiar a compra de outro. Obviamente, a ideia aqui é, na medida do possível, pegar um carro mais barato do que o anterior, afinal, estamos falando de uma pessoa que já está com o orçamento apertado.

Para aqueles que ainda não conseguem fazer um bom planejamento financeiro, vale a pena ler o seguinte texto:

- Dicas para não entrar no cheque especial usando o Minhas Economias

Ainda que você feche as suas contas no vermelho ao final do mês, ao menos você terá uma boa ideia do quanto precisa para pagar as suas contas e poder pegar dinheiro emprestado a uma taxa de juros menor. E, para sair das dívidas, seguem algumas dicas no link abaixo:

- Como sair das dívidas

 
 

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