A poupança voltou a ter captação líquida negativa em outubro. Os resgates superaram as aplicações em R$ 2,0 bilhões, após 5 meses consecutivos de captação líquida positiva. No ano, considerando os dados até 7 de novembro, os resgates superam as aplicações em R$ 2,3 bilhões.

O ritmo de resgates na poupança vem diminuindo em 2017. Enquanto nos dez primeiros meses de 2016, os resgates líquidos totalizaram R$ 53,2 bilhões, em 2017, para este mesmo período, os resgates líquidos totalizaram R$ 6,2 bilhões. Segue abaixo o gráfico com as captações/resgates líquidos e o volume total de recursos investidos na poupança ano a ano.

 

Saldo e captação líquida anual da poupança – 1995 a 2017 (até 7-nov)

Saldo e captação líquida anual da poupança – 1995 a 2017 (até 7-nov)

 

No gráfico seguinte, exibimos as captações ou resgates líquidos a cada mês. De janeiro de 2015 até outubro de 2017, houve captações líquidas em apenas 8 meses. Neste período, os resgates totalizam R$ 100,4 bilhões. Com isto, o total de recursos aplicados na poupança passou de R$ 662,7 bi em dezembro de 2014 para R$ 695 bi em outubro de 2017, um aumento de apenas 4,90%, graças aos juros rendidos neste período.

 

Saldo e captação líquida mensal da poupança – jan 2014 a 7 nov 2017

Saldo e captação líquida mensal da poupança – jan 2014 a 7 nov 2017

 

Uma das explicações para este recente aumento na captação está relacionada à queda da taxa Selic que vem ocorrendo nos últimos meses, passando de 14,25% em outubro de 2016 para 7,50% agora, e ainda com a expectativa de novos cortes.

No gráfico abaixo, exibimos as rentabilidades da poupança apurada pela regra nova, e do CDI, a principal taxa de referência para o mercado de renda fixa. Plotamos também as rentabilidades de um CDB que paga 81% do CDI, valor usualmente pago pelos grandes bancos a pequenos investidores. Vale lembrar que, quando a taxa Selic supera os 8,5% ao ano, a rentabilidade da poupança nova passa a ser idêntica à da regra antiga (TR + 6,17% ao ano). Como a poupança é isenta de imposto de renda (IR), para uma comparação mais justa, calculamos as rentabilidades do CDI e do CDB já líquidas de IR (usando alíquota de 15%). Exibimos também as diferenças de rentabilidade entre CDI (já excluída de IR) e poupança, e CDB (também excluída de IR) e poupança.

 

Rentabilidade mensal – poupança x CDI

Rentabilidade mensal – poupança x CDI

 

No primeiro semestre de 2013, quando a taxa Selic ainda estava abaixo de 8% ao ano, a poupança chegou a render mais do que o CDI líquido de IR, o que explica a captação líquida positiva recorde da poupança em 2013 de R$ 71,05 bi, mostrado no primeiro gráfico. No entanto, com as sucessivas quedas da taxa Selic nos últimos meses, é possível visualizar no gráfico que a diferença de rentabilidade do CDI e do CDB para a poupança vem caindo nos últimos meses e, neste mês de outubro, o CDB líquido de IR deverá render pouco mais do que a poupança (para quem já tem recursos aplicados há mais de 24 meses, prazo no qual passa a incidir a alíquota de 15% de IR). Vale destacar que os resgates da poupança fora da data de aniversário não pagam juros entre a data do último aniversário e a data do resgate.

Já o CDB voltado para o pequeno investidor, que paga em torno de 81% do CDI, este terá rentabilidade líquida abaixo da poupança em setembro, o que ajuda a explicar a captação líquida positiva deste último investimento nos meses mais recentes. Na imagem seguinte, pode-se ver com mais detalhes estes dados.

 

Rentabilidade mensal – poupança x CDI (out-16 a nov-17)

Rentabilidade mensal – poupança x CDI (out-16 a nov-17)