Com a taxa Selic mantida em seu patamar mais baixo em toda a sua história, a poupança vem reconquistando espaço entre os investidores. Com R$ 38,26 bilhões de captação líquida, 2018 registrou o quarto melhor ano desde o início do Plano Real e o melhor ano desde 2013.
Como a inflação medida pelo IPCA se mantém abaixo do centro da meta e com a expectativa de que ela continue bem-comportada, espera-se que a taxa Selic se mantenha em 6,5% ao ano nos próximos meses, o que deve garantir um fluxo positivo de recursos para a poupança. O fato de grande parte dos fundos conservadores e títulos de renda fixa oferecidos pelos grandes bancos estarem rendendo menos do que a poupança, explica em boa parte este fluxo de recursos.

 

Saldo e captação líquida anual da poupança – 1995 a 2018

Saldo e captação líquida anual da poupança – 1995 a 2018

 

No gráfico seguinte, exibimos as captações ou resgates líquidos a cada mês. Em dezembro, as aplicações superaram os resgates em R$ 14,6 bi. No mesmo período do ano passado houve captação líquida de R$ 19,4 bilhões.

 

Saldo e captação líquida mensal da poupança – dez 2016 a dez 2018

Saldo e captação líquida mensal da poupança – dez 2016 a dez 2018

 

Analisando a rentabilidade dos últimos 12 meses, a poupança foi mais vantajosa do que qualquer fundo DI com taxa de administração acima de 1,0% ao ano, quando levado em conta a rentabilidade líquida de imposto de renda.

No gráfico abaixo, exibimos as rentabilidades mensais da poupança para os últimos meses de 2018 e as projeções para os meses de 2019, apurada pela regra nova, e do CDI, a principal taxa de referência para o mercado de renda fixa. Para as projeções, assumimos uma Selic constante de 6,5% ao ano ao longo de 2019 e um IPCA de 4,25% (exatamente a meta de inflação para 2019). Plotamos também as rentabilidades de um CDB que paga 81% do CDI, valor usualmente pago pelos grandes bancos a pequenos investidores. Vale lembrar que, quando a taxa Selic supera os 8,5% ao ano, a rentabilidade da poupança nova passa a ser idêntica à da regra antiga (TR + 6,17% ao ano). Como a poupança é isenta de imposto de renda (IR), para uma comparação mais justa, calculamos as rentabilidades do CDI e do CDB já líquidas de IR (usando alíquota de 15%). Exibimos também as diferenças de rentabilidade entre CDI (já excluída de IR) e poupança, e CDB (também excluída de IR) e poupança.

 

Rentabilidades mensais – Poupança x CDI

Rentabilidades mensais – Poupança x CDI

 

No primeiro semestre de 2013, quando a taxa Selic ainda estava abaixo de 8% ao ano, a poupança chegou a render mais do que o CDI líquido de IR, o que explica a captação líquida positiva recorde da poupança em 2013 de R$ 71,05 bi, mostrado no primeiro gráfico.
Vale destacar que os resgates da poupança fora da data de aniversário não pagam juros entre a data do último aniversário e a data do resgate. Já o CDB voltado para o pequeno investidor, que paga em torno de 81% do CDI, este terá rentabilidade líquida abaixo da poupança ao longo dos próximos meses.

Na imagem seguinte, pode-se ver o quanto a diferença entre CDI e poupança caiu em 2017, na comparação com 2016. Em 2018, tivemos nova queda, com este diferencial passando de 1,85% em 2017 para 0,84% neste ano. Com as hipóteses assumidas, 2019 deverá ter um diferencial de 0,91% apenas.

 

Rentabilidades anuais – Poupança x CDI

Rentabilidades anuais – Poupança x CDI

 

Quanto aos juros reais da poupança. isto é, descontada a inflação, a queda abrupta do IPCA permitiu um ganho real maior à poupança nos últimos meses. 2017 registrou ganho de 3,67% acima da inflação, maior ganho anual em 11 anos. Em 2018, este ganho ficou em apenas 0,88%. Já para 2019, caso a Selic se mantenha em 6,5% ao ano e a meta de inflação de 4,25% se confirme, o ganho real da poupança será de apenas 0,30%

 

Rentabilidades anuais – Poupança x IPCA

Rentabilidades anuais – Poupança x IPCA