A poupança começa o ano de 2017 com mais resgates do que aplicações. Somente em janeiro, o resgate líquido foi de R$ 10,7 bilhões, sendo o terceiro pior mês da série histórica divulgada pelo Banco Central. Ao menos, na comparação com o mesmo mês de 2016, quando ocorreu o recorde de resgate líquido mensal com R$ 12,0 bilhões, este número veio um pouco abaixo.

Já no mês de fevereiro, até o dia 8, a poupança registrou captação líquida de R$ 2,3 bi. Com isto, o saldo dos depósitos de poupança recuperou-se um pouco, chegando a R$ 662,65 bi, representando variação de -0,35% em relação ao saldo final de 2016 e atingindo um patamar semelhante ao final de 2014. No gráfico abaixo, ilustramos as captações/resgates líquidos e saldos ao final de cada ano.

 

Saldo e captação líquida anual da poupança – 1995 a 2017 (até 8-fev)

Saldo e captação líquida anual da poupança – 1995 a 2017 (até 8-fev)

 

O resgate líquido de R$ 10,7 bi registrado em janeiro de 2017, representa o terceiro ano consecutivo em que há mais resgates do que captações neste mês. No entanto, com a queda esperada da taxa Selic nos próximos meses, espera-se que o ritmo de resgates da poupança diminua um pouco.

 

Saldo e captação líquida mensal da poupança – jan-13 a fev-17

Saldo e captação líquida mensal da poupança – jan-13 a fev-17

 

Uma das explicações para o motivo de haver tantos resgates na poupança aparece no gráfico abaixo, em que são exibidas as rentabilidades da poupança apurada pela regra nova, e o CDI, a principal taxa de referência para o mercado de renda fixa. Plotamos também as rentabilidades de um CDB que paga 86% do CDI, valor usualmente pago pelos grandes bancos a pequenos investidores. Vale lembrar que, quando a taxa Selic superou os 8,5% ao ano, a rentabilidade da poupança nova passou a ser idêntica à da regra antiga (TR + 6,17% ao ano). Como a poupança é isenta de imposto de renda (IR), para uma comparação mais justa, calculamos as rentabilidades do CDI e do CDB já líquidas de IR (usando alíquota de 15%). Exibimos também as diferenças de rentabilidade entre CDI (já excluída de IR) e poupança, e CDB (também excluída de IR) e poupança.

 

Rentabilidade mensal – poupança x CDI jan-15 a fev-17

Rentabilidade mensal – poupança x CDI jan-15 a fev-17

 

No primeiro semestre de 2013, quando a taxa Selic ainda estava abaixo de 8% ao ano, a poupança antiga chegou a render mais do que o CDI líquido de IR, o que explica a captação líquida positiva recorde da poupança em 2013 de R$ 71,05 bi, mostrado no primeiro gráfico. No entanto, com as sucessivas altas da taxa Selic, o CDI passou a render consideravelmente mais do que a poupança. Nos últimos meses, o CDI (já excluído o IR) rendeu entre 0,25% e 0,29% a mais do que a poupança (ver linha azul claro do gráfico acima). Já o CDB para pequeno investidor rendeu 0,12 a 0,15% a mais do que a poupança (linha verde).

Entretanto, com os cortes recentes da taxa Selic, os rendimentos de aplicações como o CDB-DI passaram a cair, ainda que de forma suave. No entanto, com a sinalização por parte do Banco Central de que a taxa Selic passará a cair mais rapidamente, 2017 será um ano em que o rendimento de investimentos atrelados ao CDI cairá significativamente, com a tendência de que a diferença em relação ao rendimento da poupança volte a se reduzir.

Observando os ganhos anuais, o CDI já com o desconto de 15% do IR (para quem deixará o dinheiro investido por 2 anos ou mais) teve um ganho adicional, em relação à poupança, maior em 2016 do que nos 9 anos anteriores.

 

Rentabilidade anual – poupança x CDI 2000 a 2016

Rentabilidade anual – poupança x CDI 2000 a 2016

 

Já em relação ao IPCA, a poupança registrou um ganho real de 2,02% em 2016, maior valor desde 2009, quando teve ganho superior à inflação de 2,61%. Com a expectativa de que o IPCA feche 2017 no centro da meta de inflação (4,5%), é bastante provável que o ganho real da poupança neste ano seja melhor do que em 2016.

 

Rentabilidade anual – poupança x IPCA 2000 a 2016

Rentabilidade anual – poupança x IPCA 2000 a 2016

 

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