Após sofrer 10 meses consecutivos de resgates líquidos, acumulando R$ 53,25 bilhões de perdas de recursos até 31 de outubro de 2016, a poupança voltou a ter captação líquida de R$ 1,88 bi em novembro.

Após sofrer resgate líquido recorde de R$ 53,6 bilhões em 2015, a caderneta de poupança acumula um resgate líquido menor em 2016: R$ 51,4 bi (até 30 de novembro). Com isto, o estoque de recursos investidos na poupança está voltando a subir aos poucos, passando de R$ 644,3 bilhões em 31 de outubro para R$ 650,3 bi em 30 de novembro.

 

Saldo e captação líquida anual da poupança – 1995 a 2016 (até 30-nov)

Saldo e captação líquida anual da poupança – 1995 a 2016 (até 30-nov)

 

O último mês em que houve mais aplicações do que resgates foi em dezembro de 2015, com captação líquida de +R$ 4,8 bilhões. No entanto, já no mês seguinte, janeiro de 2016, foi registrado o maior resgate líquido mensal de toda a série histórica: R$ -12,0 bilhões. Neste último mês de novembro, o ganho de recursos foi de R$ 1,88 bilhões. Isto fez com que o saldo total da poupança subisse de R$ 644,34 bilhões para R$ 650,26 bilhões, representando aumento de 0,92%, mas ainda 0,96% abaixo do saldo de dezembro de 2015 (R$ 656,59 bi).

 

Saldo e captação líquida mensal da poupança – jan-13 a nov-16

Saldo e captação líquida mensal da poupança – jan-13 a nov-16

 

Uma das explicações para o motivo de haver tantos resgates na poupança aparece no gráfico abaixo, em que são exibidas as rentabilidades da poupança apurada pela regra nova, e o CDI, a principal taxa de referência para o mercado de renda fixa. Plotamos também as rentabilidades de um CDB que paga 86% do CDI, valor usualmente pago pelos grandes bancos a pequenos investidores. Vale lembrar que, quando a taxa Selic superou os 8,5% ao ano, a rentabilidade da poupança nova passou a ser idêntica à da regra antiga (TR + 6,17% ao ano). Como a poupança é isenta de imposto de renda (IR), para uma comparação mais justa, calculamos as rentabilidades do CDI e do CDB já líquidas de IR (usando alíquota de 15%). Exibimos também as diferenças de rentabilidade entre CDI (já excluída de IR) e poupança, e CDB (também excluída de IR) e poupança.

 

Rentabilidade mensal – poupança x CDI jan-15 a nov-16

Rentabilidade mensal – poupança x CDI jan-15 a nov-16

 

No primeiro semestre de 2013, quando a taxa Selic ainda estava abaixo de 8% ao ano, a poupança antiga chegou a render mais do que o CDI líquido de IR, o que explica a captação líquida positiva recorde da poupança em 2013 de R$ 71,05 bi, mostrado no primeiro gráfico. No entanto, com as sucessivas altas da taxa Selic, o CDI passou a render consideravelmente mais do que a poupança. Nos últimos meses, o CDI (já excluído o IR) rendeu entre 0,25% e 0,29% a mais do que a poupança (ver linha azul claro do gráfico acima). Já o CDB para pequeno investidor rendeu 0,12 a 0,15% a mais do que a poupança (linha verde).

Entretanto, com os cortes recentes da taxa Selic, os rendimentos de aplicações como o CDB-DI passaram a cair. Em outubro, o ganho adicional do CDB-DI em relação à poupança já caiu para o menor nível desde junho de 2015. Em novembro, o ganho relativo voltou a subir um pouco graças à menor rentabilidade da TR no mês.

Observando os ganhos anuais (já com os ganhos de 2016 projetados), o CDI já com o desconto de 15% do IR (para quem deixará o dinheiro investido por 2 anos ou mais) terá um ganho adicional em relação à poupança maior em 2016 do que os últimos 9 anos.

 

Rentabilidade anual – poupança x CDI 1997 a 2016

Rentabilidade anual – poupança x CDI 1997 a 2016

 

Uma curiosidade: caso, no final de novembro, todos os investidores da poupança migrassem seus recursos para CDBs que pagassem apenas 86% do CDI, em um mês eles teriam R$ 306 milhões a mais em suas contas, mesmo pagando 22,5% de imposto de renda.

 

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