Será que realmente vale a pena economizar no cafezinho, na sobremesa e na economia de água em casa? Quanto isso realmente vai lhe render a mais por mês? Para a maioria das pessoas, não muito, talvez uns R$ 30 mensais. E a grande questão é: será que vale mesmo a pena tanto esforço para guardar este valor?

Bem, podemos analisar este tema sob dois aspectos diferentes: o estritamente racional e matemático (baseado em quantias), e aquele mais comportamental ou associado ao nosso hábito.

1. Lado Racional

Economizar R$ 30 por mês não parece ser muito dinheiro, afinal equivale a apenas R$ 1 por dia. Para atingir esta economia basta deixar de tomar um ou outro cafezinho espresso, deixar de comprar uma bala todo dia ou mesmo desligar o chuveiro ao se ensaboar. Não é preciso um grande esforço.

Apesar de R$ 30 não ser uma grande quantia, sempre falamos que os juros compostos podem fazer milagres com o seu dinheiro, especialmente se considerarmos um prazo longo de investimento, certo? Então vamos fazer umas contas.

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Vamos supor que você consiga uma taxa de juros real líquida de 3% ao ano, isto já descontado os impostos, taxas e inflação (pode até ser algo razoável hoje, mas no futuro isto ainda pode diminuir mais).

Aplicando estes juros:
– em 5 anos você terá R$ 1.942.
– em 10 anos você terá R$ 4.194.
– em 20 anos você terá R$ 9.830.
– em 30 anos você terá R$ 17.404

Pois é, vai levar bem mais de 30 anos para você conseguir comprar um carro novo … e ainda será aquele mais simples e barato disponível no mercado.
Se pensarmos somente por este lado racional, talvez não valha mesmo a pena sacrificar o cafezinho diário!

2. Lado Comportamental

Apesar do raciocínio acima estar correto, é preciso analisar estes R$ 30 sob um ponto de vista diferente do estritamente matemático.

A grande contribuição deste tipo de economia é muito mais comportamental do que racional. Caso contrário, para que ensinar as crianças a lidar com a mesada desde cedo, já que o valor desta mesada é insignificantemente pequena?

O importante é instalar um hábito de economia e planejamento financeiro. E, principalmente, fazer com que as pessoas tomem consciência dos seus gastos e os impactos destes no futuro.

Por exemplo, a economia de água no chuveiro pode não resultar em um valor muito grande. Mas, ela ensina tanto às crianças quanto aos adultos que é preciso sempre evitar desperdícios. E, quando os desperdícios são evitados em vários aspectos de nossa vida, aí sim um valor mais relevante pode ser economizado.

Da mesma forma, a economia no café diário é importante para que as pessoas não consumam algo somente por hábito ou porque todos também consomem. Com tudo isto, ao invés de R$ 30 por mês, pode-se chegar em R$ 300 ou quem sabe mais ainda… Multiplique os valores anteriores por 10 e veja que serão muito mais significativos.

Grande parte de uma boa Educação Financeira é comportamental. Por isso, muitas vezes só otimizar as contas não gera os melhores resultados!