Muito se fala e se discute sobre onde investir: quais as melhores opções, que trazem boa rentabilidade aliada a baixos riscos. Mas você saberia dizer quais são os investimentos que não são bons? Sim, é também muito importante ter ‘na ponta da língua’ aqueles investimentos com os quais você deve ter um cuidado extra, ainda mais quando eles aparecem disfarçados de boas oportunidades!

Conhecer todos os produtos financeiros existentes no mercado é uma tarefa bem difícil, a não ser que você seja um profissional da área. As instituições financeiras estão sempre lançando novos produtos financeiros para oferecê-los à você. É como se eles fossem uma indústria de carros: a cada ano eles precisam lançar uma novidade para que você se convença a comprar um carro novo!

Mas, nem sempre estes novos produtos financeiros são interessantes para você. Por isso, listamos alguns exemplos destes investimentos ‘ruins’ disfarçados de ‘bom negócio’. Você não precisa necessariamente ‘fugir’ de todos eles, eventualmente um ou outro pode ser até interessante em casos específicos. Sempre faça uma análise criteriosa antes de tomar qualquer decisão!

1 – Títulos de capitalização.
Estes títulos são muitas vezes oferecidos nas instituições financeiras como um bom negócio. Qual o atrativo oferecido? Que você terá a grande chance de ganhar uma ‘bolada’ através de sorteios frequentes. E, se não for sorteado, o seu dinheiro retorna para você, corrigido pelos juros.

O problema é que os juros oferecidos são muito pequenos. Assim, só valerá a pena se você for sorteado, mas a probabilidade disso acontecer é muito baixa.

E, além de tudo, se você quiser resgatar o dinheiro aplicado antes do término do prazo, pode até perder dinheiro.

Por isso, fuja deste tipo de ‘investimento’! Aliás, os Títulos de capitalização nem deveriam ser chamados mesmo de investimento.

2 – Troca do Carro por uma mais novo.
Muita gente acha que o carro é um ótimo investimento, principalmente se a escolha for um carro que desvaloriza pouco e com bom valor de revenda. Certo?

Errado. Carro não é investimento! Você sempre terá mais gastos com o carro (IPVA, manutenção, combustível, etc.) e vai ser quase impossível recuperar o dinheiro pago na hora da revenda. Isso sem falar no custo de oportunidade do dinheiro: o valor que você usou para pagar o carro poderia estar efetivamente investido para render juros mensais.

Há exceções? Sim, mas são raras. Por exemplo, os carros de colecionadores podem, eventualmente, valer mais quanto mais antigos e raros eles forem. E também há aqueles que usam o carro para o trabalho: neste caso, um carro melhor e mais caro pode resultar em melhor remuneração.

Mas, de uma maneira geral, não se iluda: trocar o carro por um melhor, não é investimento.

3 – Trocar o Imóvel por um mais novo.
Esta situação é muito parecida com o caso da troca de carro. De uma maneira geral, o caso do imóvel também não pode ser considerado um investimento, afinal os gastos adicionais (com condomínio, por exemplo), a depreciação do imóvel e o custo de oportunidade do dinheiro também estão presentes aqui.

A única diferença é que o potencial de valorização de um imóvel é bem maior que o do carro. Por exemplo, quem comprou um imóvel há cerca de 7 anos atrás, exatamente quando começou a época do ‘boom’ dos imóveis, muito provavelmente teve seu imóvel valorizado a taxas bem maiores que qualquer investimento conservador.

Mas este é um mercado que tem uma boa dose de risco. Quem comprou um imóvel recentemente pensando em fazer um investimento, já está passando por uma experiência bem mais difícil com o desaquecimento do setor.

Comprar imóveis para alugar também é um estratégia frequentemente usada. Mas lembre-se que é preciso ter muito capital para isso e escolher muito bem a localização e o tipo do imóvel, para não ficar com ele parado e sem ninguém.

4 – Investimentos que ‘garantem’ alta rentabilidade, sempre!
Estes são os famosos ‘golpes': alternativas de investimento que garantem uma rentabilidade, geralmente fixa e mensal, de forma garantida. E sem riscos!

Infelizmente não há milagre no mundo financeiro: quanto maior a rentabilidade, maior o risco. E vice-versa.
Um exemplo clássico são as ‘pirâmides financeiras’, que prometiam altos ganhos de maneira fácil. Durante algum tempo a farsa é mantida, mas o esquema todo é insustentável a médio e longo prazo.

Fica a dica: quando a promessa é muito boa, desconfie! É parecido com aquelas dietas milagrosas que prometem emagrecimento sem esforço. Não, sinto dizer mas não vai funcionar.

Fuja sempre!

5 – Loteria
Este é um caso interessante, pois a Loteria, ou qualquer outro tipo de sorteio, nunca é vendido como um investimento. Mas cada pessoa acaba se ‘enganando’, justificando a aposta como um bom “investimento” que vai trazer muitos lucros.

Se a pessoa for sorteada, ela até está certa. Mas a probabilidade é sempre muito pequena. Só a título de curiosidade, a probabilidade de se ganhar na Mega Sena com uma aposta simples de 6 número jogados é de 1 em 50.063.860 (dados da própria Caixa Econômica).

Você sabe o que é isso? Para passar por 50.063.860 minutos você terá que viver pouco mais de 95 anos!

Tudo bem, não tem nada de errado em apostar na loteria de vez em quando, em grupo ou com o pessoal do trabalho. Mas não faça disso a sua ‘salvação’! Não coloque todas as suas esperanças em um pedaço de bilhete, pois esse tipo de sorte só acontece para pouquíssimas pessoas.