A inflação no Brasil, independentemente do índice analisado (IPCA, IGPM, etc.) vêm aumentado todos os meses e deve continuar sem dar indícios de recuar por mais algum tempo. Ok, ainda estamos muito longe “daquela inflação” dos anos 80 e 90: só como exemplo, a inflação anual acumulada de 1990 foi de cerca de 1.400% !! Mas ainda assim, com o atual IPCA acumulado de 12 meses em 8,47%, temos que nos policiar.

Apesar deste tema estar muito presente nos meios de comunicação (internet, TV, rádio, jornais, etc.), muita gente ainda não tem a completa noção dos reais impactos em nossa vida. Afinal, um aumento de 4 pontos percentuais na inflação (indo de 4,5% para 8,5%) não parece nada muito grave em uma primeira análise!

Na verdade, o impacto mais imediato e presente é o aumento dos gastos do dia-a-dia. Mas, isto é mais notado somente quando o aumento é muito grande, como é o caso da energia elétrica no momento. Ou no caso do tomate há um tempo atrás, quando este vegetal se tornou o vilão da inflação!

É importante também entender quais os impactos que a inflação gera em pelos menos outros 2 aspectos de nossa vida. Vamos a eles:

1. Investimentos

Se você tem algum dinheiro investido, saiba que a inflação pode mudar completamente as “regras do jogo”. Principalmente se o seu horizonte de investimento for algo de longo prazo: o efeito dos juros compostos faz com que qualquer variação percentual (seja 1%, 2% ou 4%) nos rendimentos tenha um impacto enorme no futuro.

A inflação neste caso tem dois impactos mais relevantes:

- Altera o ‘ganho real’: se você tem um investimento que rende 10% ao ano, temos sempre que ter em mente que o ‘ganho real’ não vai exatamente ser este. À medida que o dinheiro rende, a inflação faz com que os preços dos produtos e serviços também aumentem. Assim, se a inflação neste mesmo período for de 8%, o seu ganho real foi de, na verdade,de apenas 2%! A inflação corrói não somente o seu poder de compra no presente, mas no futuro também.

- Exige uma reavaliação do seu portfólio de investimento: traduzindo, é preciso rever se os seus atuais investimentos continuam sendo uma boa opção. Isto decorre não diretamente por causa da inflação, mas por causa do aumento de juros (‘capitaneada’ pela taxa SELIC) com o objetivo de combater a inflação.
Este aumento de juros faz com que produtos financeiros antes interessantes se tornem um mau negócio. Por exemplo, a poupança que era uma boa opção, atualmente está ‘entregando’ rendimentos bem abaixo de outras opções de renda fixa no mercado.

2. Gastos x Orçamento

Com o aumento da inflação, os seus gastos vão aumentar. E, provavelmente, você não havia previsto este aumento no seu Orçamento! Bem, isso se você tiver feito um orçamento, certo?

De qualquer modo, é preciso reavaliar o seu orçamento para torná-lo mais realista. E, se o seu salário não aumentou, não vai ter outra opção: você vai ter que “apertar o cinto”!