Quais ações bateram o Ibovespa e o CDI no curto, médio e longo prazo?

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Quais ações bateram o Ibovespa e o CDI no curto, médio e longo prazo?

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Foto: Shutterstock/casa.da.photo

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Apenas dez ativos conseguiram superar simultaneamente os principais referenciais do mercado financeiro brasileiro até o fim de maio de 2026. Esse grupo bateu o CDI e o Ibovespa em todas as janelas analisadas, de 12, 24 e 60 meses. O resultado evidencia uma capacidade consistente de geração de valor ao longo de diferentes ciclos econômicos, superando tanto a volatilidade característica da bolsa brasileira quanto o elevado custo de oportunidade representado pelos juros no período. Mais do que isso, demonstra a força estrutural dessas companhias para atravessar crises geopolíticas relevantes e, em alguns casos, até transformar as distorções geradas por esses eventos em oportunidades de crescimento.

Ações que bateram o CDI e Ibovespa nos últimos 12, 24 e 60 meses*
Variação acumulada – em %
Ativo12 meses24 meses60 meses
PETR353,3749,86475,57
PETR448,0943,22463,83
CSMG3125,21197,37375,57
CPLE334,65105,89275,93
PRIO355,6346,71217,14
ITSA432,0272,07130,65
AXIA663,45105,61114,01
VIVT329,2973,97112,14
BPAC1136,0078,0598,11
AXIA369,15110,7978,82
CDI14,8828,4076,03
IBOVESPA25,4541,6338,41
Dólar Ptax-10,59-2,70-3,27
Fontes: RocketTrader, B3 e Banco Central
*Até 29/05/2026
OBS.: Carteira teórica do Ibovespa válida para o quadrimestre Mai. a Ago. 2026

A predominância de empresas ligadas à exploração de recursos energéticos e à gestão de serviços públicos não é coincidência. Nos últimos anos, o mercado tem favorecido companhias com forte geração de caixa e mecanismos naturais de proteção contra a inflação, características que ganharam ainda mais relevância diante do cenário geopolítico global. No setor de petróleo, o desempenho superior reflete a combinação entre eficiência operacional e a capacidade de capturar os benefícios dos ciclos de alta da comodity. Esses movimentos foram impulsionados por choques de oferta e pelos prêmios de risco associados à guerra entre Rússia e Ucrânia e às tensões recorrentes no Oriente Médio.

Nesse contexto, a Petrobras se destaca no horizonte de longo prazo. As ações ordinárias (PETR3) acumularam rentabilidade de 475,57% em cinco anos, enquanto as preferenciais (PETR4) avançaram 463,83%. A Prio (PRIO3), por sua vez, simboliza a consolidação do setor independente de óleo e gás no Brasil, registrando valorização de 217,14% no mesmo período ao aproveitar de forma eficiente as oportunidades criadas pelas oscilações do mercado internacional.

Entre as empresas de utilidade pública, tradicionalmente mais resilientes em momentos de aversão ao risco, a Copasa (CSMG3) lidera os horizontes de curto e médio prazo. O papel registrou a maior rentabilidade da amostra nessas janelas, com alta de 125,21% em 12 meses e 197,37% em 24 meses. A Copel (CPLE3) segue trajetória semelhante e acumula valorização de 275,93% nos últimos cinco anos. Os números reforçam como a essencialidade dos serviços prestados e a relativa estabilidade das receitas podem se traduzir em retornos consistentes para os acionistas.

A criação de valor, contudo, não ficou restrita aos setores de commodities e infraestrutura. O desempenho de outras empresas mostra que gestão eficiente, posicionamento estratégico e domínio de nichos específicos também podem gerar resultados expressivos em ambientes macroeconômicos desafiadores. A Itaúsa (ITSA4), por exemplo, superou todos os referenciais analisados e entregou retornos de 32,02% em 12 meses e 130,65% em cinco anos. No setor financeiro, o BTG Pactual (BPAC11) reforça essa dinâmica ao demonstrar capacidade de alocação de capital e expansão dos negócios mesmo em um ambiente de juros elevados e mudanças nos fluxos globais de investimento, registrando ganhos de 36,00% em 12 meses e 78,05% em 24 meses.

No setor de telecomunicações, a Vivo (VIVT3) aparece como um exemplo de estabilidade e geração recorrente de valor, acumulando valorização de 112,14% em 60 meses. Fechando a lista, os papéis da Axia (AXIA3 e AXIA6) registraram altas de 69,15% e 63,45% nos últimos 12 meses, respectivamente, e ultrapassaram a marca de 100% de valorização na janela de dois anos.

Os resultados observados sugerem que essas companhias foram capazes de gerar crescimento real e sustentável ao longo do tempo, consolidando-se como instrumentos eficientes tanto para preservação patrimonial quanto para multiplicação de capital em um ambiente marcado por juros elevados e incertezas globais.

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