“Você deve investir num negócio que até um idiota poderia dirigir, porque algum dia um idiota o dirigirá.” (Warren Buffett)

Investir é uma mistura de  arte e ciência. Exige seriedade, disciplina, pesquisa e auto-conhecimento, só para começar. Por exemplo, uma pergunta aparentemente simples como: Qual é o melhor investimento de baixo risco para R$ 10 mil e prazo de um ano? … envolve vários conceitos e opções, possibilitando uma diversidade enorme de pontos de vista.

Na verdade, não há uma resposta única e correta para todas as pessoas. Mas, da mesma forma que pesquisamos várias opções e preços quando vamos comprar algum produto, é preciso pesquisar as várias opções de produtos financeiros.  E isto nem sempre é feito. O que acontece é que alguns produtos de investimento somente estão disponíveis para clientes que possuem conta-corrente no banco, ou então, pelo fato da maior parte dos clientes bancários buscarem informações nos bancos nos quais tem conta, eles tendem a investir com os mesmos.

Vamos então fazer um exercício de pesquisa e comparação de produtos.

No quadro abaixo, mostramos as principais vantagens e desvantagens dos produtos mais conhecidos e acessíveis à maioria dos investidores.

Produtos

Vantagens

Desvantagens

Poupança
  • Isento de IR (imposto de renda)
  • Coberto pelo FGC * (Fundo Garantidor de Crédito)
  • Investimento inicial baixo
  • Regra de cálculo da TR (indexador da poupança) pode sofrer alterações e prejudicar a rentabilidade
  • Juros são pagos somente na data de aniversário
  • Se o banco quebrar, o FGC ressarce somente até R$ 60 mil
CDB – DI com liquidez diária
  • Coberto pelo FGC
  • Se o banco quebrar, o FGC ressarce somente até R$ 60 mil
Fundo DI
  • Há opções para investimento inicial baixo (R$ 100)
  • Se o banco quebrar, os recursos do fundo não são afetados (a não ser que o fundo tenha títulos do próprio banco)
  • Não é coberto pelo FGC
  • Há cobrança de Taxa de administração
  • Come-cotas: IR de 15% descontado no último dia útil de maio e novembro
LFT – Tesouro Direto **
  • Risco de crédito baixo: Tesouro Nacional
  • Cobrança de taxa de custódia, taxa de negociação e/ou taxa de serviço diminuem a rentabilidade
  • Poucas opções de vencimento

* FGC (Fundo Garantidor de Crédito) = entidade sem fins lucrativos, criado pelo governo através da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) com o intuito de prestar garantia de créditos contra instituições dele associadas.

** LFT – Tesouro Direto (Letras Financeiras do Tesouro) = são  títulos com rentabilidade pós-fixada. O indexador utilizado é a taxa SELIC.

Para podermos concluir qual o melhor investimento, realizamos duas importantes atividades:

1º) . Conhecer as variações nas taxas oferecidas por cada instituição financeira, quando aplicável

– A Poupança é um produto cuja remuneração independe da instituição financeira, não havendo assim a necessidade de pesquisa.

– Para as taxas oferecidas ao CDB-DI, fizemos uma pesquisa em três grandes bancos de varejo. Esta mesma pesquisa foi feita para astaxas de administração dos fundos DI de longo prazo . Para este dois produtos, os bancos tendem a oferecer maiores facilidades para os próprios correntistas.

– Já para o Tesouro Direto, há agentes de custódia que não cobram taxa de custódia, de modo que as taxas a serem pagas resumem-se à taxa de custódia de 0,3% ao ano cobrada pela CBLC (BM&F Bovespa) e a taxa de negociação de 0,1% cobrada sobre o valor negociado. Por outro lado, se você quer a comodidade de investir em títulos públicos através da instituição no qual tem conta-corrente, saiba que alguns agentes de custódia ligados a bancos chegam a cobrar até 4% ao ano pelo serviço.
Para maiores informações sobre as taxas de custódia  cobradas, consulte: 

http://www3.tesouro.gov.br/tesouro_direto/consulta_titulos_novosite/consulta_ranking.asp

2º) . Projeção das taxas de juros

Adicionalmente, projetamos três cenários de taxas de juros (CDI, SELIC e TR) para o período de um ano, com o objetivo de ilustrar o quanto cada investimento renderia caso os cenários fossem confirmados:

o cenário 1 foi elaborado com base nas condições de mercado do período em que o país teve as taxas de juros mais baixas de sua história recente.

o cenário 2 considera que a taxa SELIC seja mantida no patamar atual neste período de um ano.

o cenário 3 foi baseado na estrutura temporal de taxas de juros projetado pelo mercado futuro (fechamento de 02/09/2010), o qual reflete as expectativas do mercado financeiro.

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Depois de tudo isso, agora é só calcular as rentabilidades de cada investimento e compará-las! Como desafio, deixamos para cada um de vocês fazer este cálculo! Assim será possível comparar os seus resultados com os nossos, que divulgaremos em nosso “post” da próxima segunda-feira (13/08). Não perca!

Por enquanto, deixamos uma frase de Benjamin Graham para reflexão:

“Não precisamos ser mais espertos que os outros; precisamos ser mais disciplinados do que os outros.”