A inflação medida pelo IPCA para o mês de junho, divulgada em 7 de julho, veio abaixo das expectativas de mercado: -0,23%, o que vem a ser a menor variação mensal desde agosto de 1998, quando ficou em -0,51%. Trata-se também da menor variação mensal registrada para os meses de junho desde o início do Plano Real. Com isto, a inflação acumulada em 12 meses ficou em 3,00%, menor patamar desde abril de 2007, quando também ficou em 3,00%.

No gráfico abaixo, exibimos as variações mensais do IPCA para os meses de junho desde o ano de 1995. A menor variação anterior para o mês de junho havia sido em 2006, quando chegou a -0,21%.

 

IPCA – variações nos meses de junho – 1995 a 2017

IPCA – variações nos meses de junho – 1995 a 2017

 

Desde setembro de 2016, todas as variações mensais têm vindo abaixo da variação do mesmo mês do ano anterior. Em junho de 2016, a variação havia ficado em 0,35%, como pode ser visto no gráfico a seguir. A última vez em que a inflação mensal ficou negativa foi exatamente em junho de 2006. No período do Plano Real, esta variação de -0,23% é a segunda menor da série histórica.

 

IPCA variação mensal – junho 2017

IPCA variação mensal – junho 2017

 

Com a variação de junho passando de 0,35% em 2016 para os -0,23% de 2017, a variação acumulada em 12 meses caiu significativamente, indo de 8,84% para apenas 3,00%, valor significativamente abaixo do centro da meta de inflação e exatamente no limite inferior da meta para o ano de 2017.

 

IPCA variação 12 meses – junho 2017

IPCA variação 12 meses – junho 2017

 

Saúde e cuidados pessoais foi o grupo com maior alta no mês

Saúde e cuidados pessoais foi o grupo que teve a maior alta na inflação de junho com +0,46% e impacto positivo mais expressivo, com +0,05 pontos percentuais. Habitação, por outro lado, apresentou recuo de -0,77%%, gerando impacto negativo de -0,12 p.p no IPCA de junho. Dentro deste grupo, o item Energia Elétrica foi o destaque, com recuo de -5,52% na média do País. Transportes também apresentou queda expressiva, de -0,52%, puxada pelos combustíveis, que recuaram -2,84%.

 

IPCA variação mensal por grupo – junho 2017

IPCA variação mensal por grupo – junho 2017

 

Belo Horizonte foi a região com maior recuo da inflação no mês

Neste mês, todas as regiões apresentaram deflação. Belo Horizonte (-0,48%) e Campo Grande (-0,40%) tiveram os maiores recuos. Goiânia (-0,04%), Belém (-0,08%) e Salvador (-0,08%) tiveram os menores recuos.

 

IPCA variação mensal por região – junho 2017

IPCA variação mensal por região – junho 2017

 

Educação é o grupo com maior alta nos últimos 12 meses

Com uma alta de 8,00%, o grupo Educação é o principal vilão nos últimos 12 meses, seguido por Saúde e Cuidados Pessoais, com aumento de 7,44%. Nos 12 meses imediatamente anteriores, os dois grupos também tiveram as maiores altas. Por outro lado, Artigos de Residência foi o grupo com a menor variação: -0,72%, seguido de Alimentação e Bebidas, com 1,13%.

 

IPCA variação 12 meses por grupo – junho 2017

IPCA variação 12 meses por grupo – junho 2017

 

Recife foi a região metropolitana com maior alta nos últimos 12 meses

Com uma variação acumulada de 4,75%, Recife é a “campeã” de inflação nos últimos 12 meses, ao passo que Goiânia foi a região com a menor variação neste período: 1,74%, seguida de Curitiba com 2,04%. Na comparação com os 12 meses imediatamente anteriores, todas as regiões apresentaram recuo.

 

IPCA variação 12 meses por região – junho 2017

IPCA variação 12 meses por região – junho 2017

 

Combustíveis é o item que apresentou a maior variação de preços desde o início do Plano Real

No período desde o início do Plano Real até junho de 2017, o item Combustíveis é o maior vilão da inflação, com alta de 1.259,90%, seguido de Aluguel e Taxas com alta de 1.089,03%. Por outro lado, o item TV, Som e Informática, apresenta deflação neste mesmo período com queda de -38,39%, aliás o único item com deflação.

Já nos últimos 12 meses, Plano de Saúde teve a maior variação, com alta de 13,57%, seguido por Pescados com 10,91% e Cursos com 9,30%. Os itens com menores altas em 12 meses são Tubérculos, Raízes e Legumes, com -33,65%, seguido de Hortaliças e Verduras (-11,14%) e Cereais, Legum., Oleagin. (-8,44%).

Neste ano de 2017, Hortaliças e Verduras é o item com maior alta: 9,58%, seguido por Cursos, com 8,27%. Na ponta oposta, temos Frutas, com recuo de -13,38% e Cereais, Leguminosas e Oleaginosas, com recuo de -9,61%.

 

IPCA maiores e menores altas por item – junho 2017

IPCA maiores e menores altas por item – junho 2017

 

Tangerina é o subitem com maior alta nos últimos 12 meses: de 60,68%

No mês de junho, Feijão-carioca, Limão e Salmão foram os subitens com as maiores altas: 25,86%, 19,68% e 8,56%, respectivamente. Já Tomate, Laranja-Baía e Goiaba, com -19,22%, -18,36% e -11,60%, foram os subitens com as maiores baixas.

No ano, Manga, Morango e Açaí foram os subitens com as maiores altas: 43,10%, 25,18% e 24,38%, respectivamente. Já Abacate, Limão e Mandioquinha, com -45,62%, -34,18% e -33,82%, foram os subitens com as maiores baixas.

Em 12 meses, Tangerina, Multa e Peixe-Peroa têm altas, respectivamente, de 60,68%, 54,20% e 41,79%. Por outro lado, Batata-Inglesa, com -50,28%, Cebola, com -41,17% e Tubérculos, com -33,65%, apresentam as maiores baixas.

 

IPCA maiores e menores altas por subitem – junho 2017

IPCA maiores e menores altas por subitem – junho 2017