Uma alternativa para conseguir sair rapidamente das dívidas, principalmente em época de juros altos, é vender um bem e, assim, conseguir pagar rapidamente ao menos uma parte das dívidas. Com isto, as despesas de juros acabam pesando menos no orçamento, o que possibilita uma recuperação mais rápida das finanças. Mas, e quem não tem um bem para vender ou não pode vender o bem? Para quem tem um carro já quitado, mas não pode abrir mão de seu uso, uma forma de contornar a situação é vendê-lo e, em seguida, comprar outro (preferencialmente, de valor mais baixo e com menos custos).

E qual é a vantagem desta estratégia? Como a taxa de juros do financiamento de veículos é uma das mais baixas (por contar com uma garantia, que é o próprio automóvel), o devedor estará trocando uma dívida com taxa de juros mais alta por outra com taxas mais baixas. Enquanto as taxas de juros do crédito pessoal não-consignado e do parcelamento do cartão de crédito giram em torno de 5 a 8% ao mês, as do cheque especial ficam entre 9 e 12 % ao mês e as do rotativo do cartão de crédito entre 12 e 16% ao mês, as de financiamento de veículos não costumam ultrapassar os 2,5% ao mês.

 

Vender carro e financiar outro

Vender carro e financiar outro pode ser uma solução para sair das dívidas?

 

Fazendo uma conta de “padaria”, uma taxa mensal de juros de 14% (taxa cobrada pelo crédito rotativo do cartão) incidindo sobre uma dívida de R$ 30.000, representa R$ 4.200 só de juros. Já uma taxa mensal de 6%, como a cobrada no crédito pessoal, gera juros de R$ 1.800. No caso de uma taxa de 2,5% ao mês, os juros cobrados serão de “apenas” R$ 750. Como se vê, conseguir diminuir as taxas de juros é essencial para sair das dívidas. Não adianta economizar cortando gastos do dia a dia enquanto se paga R$ 4.200 só de juros por conta de dívida no cartão de crédito.

Para mostrar como a estratégia de venda do carro e financiamento de outro pode ser interessante, digamos que você tenha uma dívida de R$ 30.000 a ser paga em 36 meses com taxa de juros mensal de 6% (o que dá uma parcela mensal de R$ 2.051,85) e consiga vender o seu carro por R$ 35.000. Com a venda, você quita a dívida e usa os R$ 5.000 que sobraram para dar como entrada na compra financiada de outro carro, no valor de R$ 30.000, sendo que R$ 25.000 são financiados à taxa de juros de 2,5% ao mês também em 36 meses, o que dá uma parcela mensal de R$ 1.061,29.

Com isto, você obtém uma sobra mensal de quase R$ 1.000 em seu orçamento doméstico, além de, provavelmente, diminuir os seus gastos com automóvel, ao menos em relação ao seguro e ao IPVA. Ao longo dos 36 meses, a dívida anterior de R$ 30.000 e taxa de juros de 6% ao mês teria custado R$ 43.866 só de juros. Já a estratégia de vender o carro e financiar outro teria custado R$ 13.206 de juros, o que representa mais de R$ 30.000 de economia.

 

E se o carro financiado for mais caro?

Usando o mesmo exemplo anterior, mas usando os R$ 5.000 para dar entrada no financiamento de um carro de R$ 40.000 à taxa de juros de 2,5% ao mês em 36 meses, as parcelas mensais ficariam em R$ 1.485,81 (lembrando que o valor financiado seria de R$ 35.000). Assim, ainda que financiasse um carro mais caro, haveria uma “sobra” mensal de quase R$ 500. Ao final dos 36 meses, o total de juros pagos seria de quase R$ 18.500, ou seja, uma economia de juros de mais de R$ 25.000. No entanto, é importante ressaltar que, neste caso, parte da sobra mensal acabaria sendo gasta com o próprio veículo, uma vez que, por ser mais caro, provavelmente acabará gerando mais despesas.

 

Troca com troco

A troca com troco é uma variante da estratégia que estamos aqui tratando. A diferença é que o seu veículo é usado como parte do pagamento de um carro novo e a loja ainda lhe dá parte do valor em dinheiro. Certamente, é algo mais prático do que vender o seu carro por conta própria, mas há algumas desvantagens. Uma delas é que o seu carro pode ser subavaliado na troca. Outra, é que, muitas vezes, o lojista recebe uma comissão do banco (ou financeira) pela intermediação do financiamento, o que faz com que o custo da operação saia mais alto. Além disto, você acabará comprando um carro de valor mais alto do que o anterior e, consequentemente, irá lhe gerar mais despesas, o que nunca é bom, principalmente em tempos de crise.

 

Conclusão

Se você está endividado e as taxas de juros que você paga são altas, a estratégia de vender o carro e financiar um outro traz vantagens e certamente ajudará a aliviar o seu aperto financeiro. No entanto, se as taxas de juros de suas dívidas forem baixas (como as do crédito consignado ou do crédito imobiliário) ou se você não tem dívidas, esta não será uma estratégia adequada ao seu caso.

Uma alternativa a esta estratégia e que está começando a ficar mais popular é o refinanciamento de veículos, onde você contrata um empréstimo usando o seu carro como garantia. A vantagem aqui é que você poderá continuar com o seu carro e não se dar ao trabalho de vendê-lo. A desvantagem é que as taxas de juros costumam ser mais altas do que as do financiamento de veículos tradicional.

De qualquer forma, é sempre importante ressaltar que, se você deixar de pagar as parcelas, você simplesmente perderá o carro. É importante então que não deixe de controlar suas finanças e não faça dívidas desnecessárias.