Em tempos de crise, muita gente acaba encontrando dificuldade para sair das dívidas e, com juros mais altos e a inflação subindo, fica ainda mais difícil. Aquela pequena dívida no cartão de crédito virou uma bola de neve e agora já não consegue pagar a fatura. Com a facilidade de parcelamento oferecida pelas empresas de cartão, o negócio é parcelar a fatura, não é mesmo?

O problema disso é que, apesar das taxas de juros do parcelamento serem mais baixas do que as do rotativo (a taxa que você paga quando paga parcialmente a fatura), elas continuam sendo bastante caras, girando em torno de 6% ao mês. Para se ter uma ideia, uma dívida de R$ 20.000 a ser paga em 12 parcelas mensais e taxa de juros neste patamar, acaba cobrando juros em torno de R$ 8.600.

 

Sair das dívidas - vender carro

Sair das dívidas? Vender o carro pode ser a solução.

 
Deixar de pagar este valor absurdo de juros pode ser possível com a venda de um bem, por exemplo, um carro. Para quem está devendo no crédito pessoal ou pagando a dívida do cartão de crédito de forma parcelada, esta é uma boa saída para sair do sufoco. Nos exemplos que daremos a seguir, vamos assumir as seguintes condições:
– Valor nominal do carro (R$ 25.000) se mantém igual após 12 meses – de certa forma, vamos assumir que a depreciação do carro é compensada pela inflação do período;
– A venda do carro é feita com um desconto de 10% (R$ 22.500) em relação ao preço de tabela – dado que há certa urgência em ter o dinheiro em mãos o quanto antes, a venda pode ser concretizada rapidamente se houver um desconto;
– Gastos anuais com seguro (R$ 1.000), IPVA (R$ 1.000), manutenção (R$ 500), combustível (R$ 3.000) – o que dá um total de R$ 5.500. E ainda há a possibilidade de receber multas…;
– Gastos anuais com transporte público (R$ 2.500) – ao vender o carro e passar a andar de transporte público, a economia anual, no nosso exemplo, é de R$ 3.000, ou R$ 250 por mês;
– Taxa de juros do crédito pessoal ou do parcelamento do cartão de crédito: 6% ao mês já considerando IOF;
– Número de parcelas: 12;
– Taxa de juros de investimento líquido de imposto de renda: 0,8% ao mês;

 

Cenário 1

Neste cenário, a dívida é de R$ 20.000, de modo que caso fosse feito empréstimo a ser pago em 12 meses, cada parcela teria o valor de R$ 2.386. Ao final dos 12 meses, o devedor teria pago um total de R$ 8.626 de juros, mas sem ter sido preciso abrir mão do conforto do carro. Por outro lado, caso tivesse vendido o automóvel, mesmo por um preço abaixo do preço de tabela, ele teria um excedente de R$ 2.500 (R$ 22.500 da venda menos R$ 20.000 da dívida). Investindo este dinheiro (a 0,8% ao mês já descontado o imposto de renda), e também os pagamentos mensais das parcelas e os R$ 250 que deverão sobrar todo mês no orçamento (gastos com o carro menos gasto com transporte público), em apenas 9 meses já se teria acumulado um total de R$ 27.179, valor mais que suficiente para comprar um novo carro, igual ao que tinha antes.
Muita gente poderia argumentar que prefere não abrir mão do conforto nestes 9 meses, mas há uma outra vantagem na venda do carro. Como ainda estaria “economizando” o valor das parcelas por mais 3 meses (em relação à contratação do empréstimo), ao final dos 12 meses, quem vendeu o carro e o comprou novamente em 9 meses, ainda teria R$ 9.446 no banco. Já quem optou por ficar com o carro e parcelar o pagamento da dívida, após 12 meses, só terá o carro.

 

Cenário 2

Supondo que a dívida seja de R$ 30.000, o empréstimo geraria parcelas de R$ 3.578 em 12 vezes e um pagamento de R$ 12.940 de juros totais. Caso vendesse o carro e obtivesse R$ 22.500, ainda teria R$ 7.500 a pagar. Este valor poderia ser pago então em 3 parcelas de R$ 2.806 pela mesma taxa de juros de 6% ao mês. Com isto, nos três primeiros meses, o devedor poderia investir R$ 772 por mês (que é a diferença entre R$ 3.578 e R$ 2.806) e, a partir do 4º mês, o investimento passaria a ser de R$ 3.578. Além disto, ainda há os R$ 250 mensais referentes à sobra no orçamento decorrente da troca do carro pelo transporte público. Com isto, em apenas 9 meses o valor acumulado já seria de R$ 26.678, valor mais do que suficiente para comprar um novo carro.
Como no cenário 1, quem manteve o carro e resolveu parcelar a dívida, ao final de 12 meses, terá apenas o carro. Já quem vendeu o carro (mesmo com desconto) e passou aperto no transporte público por 9 meses, ao final de 12 meses, além de ter o carro novamente, ainda terá R$ 12.539 na conta bancária.

 

Conclusão

Apesar de estarmos tratando de situações hipotéticas e que não devem corresponder exatamente à situação de grande parte dos endividados, conseguir quitar o quanto antes uma dívida com taxa de juros elevada, ajudará a dar uma folga rapidamente no orçamento. Muita gente obteve uma grande conquista quando adquiriu o primeiro carro e ser obrigado a vendê-lo dá a impressão de que houve um grande retrocesso na qualidade de vida. No entanto, a venda deste bem pode ser a maneira mais rápida para sair da dívida e voltar a construir o patrimônio. Obviamente, manter o orçamento familiar em ordem e evitar os gastos supérfluos também devem ser feitos para que a recuperação ocorra rapidamente.