Comprar barato pode sair caro quando você não tiver condições de pagar e acabar caindo na armadilha da dívida no cartão de crédito. Conheça a história de Estela.

Estela nunca conseguiu poupar dinheiro. Simplesmente gastava todo o salário, mas, ao menos, não tinha dívidas. Certo dia, resolveu passear no shopping e não acreditou no que viu: o vestido que tanto queria estava em promoção, de R$ 400 por apenas R$ 100.
– É uma oportunidade que não posso perder! – pensou ela.
Abriu a bolsa, pegou a carteira e procurou por dinheiro. Ela tinha somente R$ 20, mas tinha um cartão de crédito, que ela não usava há tempos. O banco havia oferecido o cartão com anuidade gratuita como benefício do pacote de serviços de sua conta.
– Trata-se de uma emergência. Vou pagar o vestido no cartão, deixo de comprar alguma coisa durante o mês e, com esta economia, pago a fatura do cartão que vence só no próximo mês. – falou para si mesma.
Feliz da vida, Estela saiu da loja com o vestido que tanto queria. O problema foi que, um mês depois, ela não economizou dinheiro algum e deixou de pagar a fatura do cartão, sem refletir sobre as sérias consequências deste ato.

Ao deixar de pagar a fatura do cartão de crédito, Estela terá de arcar com os seguintes custos:

Multa

O valor da multa por atraso é de 2% sobre o valor devido, conforme taxa máxima prevista no Código de Defesa do Consumidor (CDC). Assim, Estela terá de pagar R$ 2,00. Vale destacar que os 2% são cobrados independentemente do prazo de pagamento. Assim, se Estela atrasar 1 ou 30 dias, o valor da multa é o mesmo.

Juros de mora

São os juros devidos por atraso no pagamento, sendo o limite de 1% ao mês e podem ser cobrados sobre o valor devido e o valor da multa. Desta forma, Estela deverá pagar também juros moratórios no valor de R$ 1,02 ao mês (1% x 102).

IOF

O Imposto sobre Operações Financeiras é devido pelo tomador de empréstimo. Neste caso, são cobradas duas alíquotas, uma de 0,38% sobre o valor devido, e outra de 0,0041% ao dia (até o prazo máximo de 365 dias). Ao deixar de pagar a fatura total ou parcialmente, o valor devido passa a ser caracterizado como um empréstimo, incidindo, portanto, o IOF.

Juros

Esta é a principal armadilha! Usando as taxas praticadas por um dos grandes bancos brasileiros como exemplo, se Estela tivesse optado por parcelar a fatura, a taxa de juros ao mês teria sido de 6,50%. Caso tivesse pago ao menos o valor mínimo da fatura, a taxa de juros mensal teria sido de 12,99%. Em ambos os casos, não incidem multa e juros de mora. No entanto, como Estela simplesmente não pagou nada, a taxa de juros ao mês cobrada passou a ser de 18,99%!

 
O que Estela e outras pessoas que deixam de pagar a fatura do cartão de crédito não percebem é que ter dívida no cartão de crédito é um péssimo negócio. A taxa de juros cobrada no cartão de crédito é uma das mais altas no mercado (se não for a mais alta) e a dívida pode assumir valores monstruosos rapidamente, como mostramos abaixo, no gráfico, a evolução da dívida inicial de R$ 100 em apenas 12 meses.

No caso de Estela, o vestido, que custava R$ 100 na promoção, na verdade, custou mais de R$ 800 no final das contas, ao resolver quitar a dívida e limpar o seu nome.

As principais lições que Estela acabou aprendendo de um jeito caro foram:

1 – Não comprar mais por impulso;
2 – Antes de qualquer compra , certificar-se que terá condições de pagar;
3 – Pagar integralmente a fatura do cartão de crédito sempre;
4 – Caso não tenha condições de quitar a fatura integral, pesquisar por outras formas de crédito com taxas de juros mais baixas para poder quitar a fatura;
5 – Se nenhuma das lições anteriores foi seguida, procurar renegociar a dívida o quanto antes

A história de Estela foi baseada em fatos reais. E você, conhece alguém que já passou por esta situação?
 

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