Pergunta: Durante vários anos trabalhei em 2 empregos diferentes, o que me desgastava muito, mas que também me garantia uma boa renda salarial. Consegui até acumular uma pequena poupança e alguns bens.

Devo usar minha poupança para pagar dívidas?
Este ano porém fui dispensada de um dos meus empregos, reduzindo minha renda drasticamente. Como mantive o mesmo padrão de vida que eu tinha anteriormente, acabei perdendo o controle dos meus gastos e me endividei. Minha situação atual é a seguinte:

– Salários:R$ 2.900,00

– Gastos mensais totais: R$ 3.000,00

– Dívidas totais de R$ 6.100,00, divididos em:

cartão de crédito: R$ 1.300,00

cheque especial: R$ 800,00

financiamento imobiliário em atraso: R$ 4.000,00

Ainda tenho uma poupança de cerca de R$ 2.000,00 e tenho um plano de previdência do meu filho de 5 anos, que hoje totaliza R$ 3.000,00. Mas não gostaria de utilizá-los, pois considero estes valores como uma segurança, é um dinheiro quase que “sagrado”.

O que mais posso fazer ?

Resposta:

Pelo que entendemos, você está vivendo no limite, não? A renda total de sua família agora mal consegue cobrir exatamente as despesas. Não está sobrando dinheiro no final do mês e isso é um problema… Bom, vamos discutir algumas saídas:

1) Quitar as dívidas:

A primeira coisa a fazer é pagar a fatura do cartão o quanto antes, pois os juros são elevadíssimos. Use sua reserva financeira para isso. SEMPRE pague o valor total da fatura do cartão de crédito EM DIA. Não esqueça que ao atrasar o pagamento incidirá multa sobre o valor devido. Se você perceber que não terá dinheiro suficiente para pagar a fatura do mês, é melhor tomar alguma outra forma de empréstimo com juros mais baixos e quitar o valor devido total do cartão.

Pague também o quanto antes o que deve no cheque especial. Da próxima vez que vir que seu saldo na conta-corrente for ficar no vermelho, tome dinheiro emprestado (desde que a juros mais baixos). Geralmente o crédito consignado possui juros mais baixos.

Pague em seguida as prestações atrasadas do financiamento imobiliário com o que sobrou da reserva financeira. Tente também renegociar com o banco as parcelas atrasadas.

No seu caso seria interessante utilizar o seu dinheiro da poupança, já que não vale a pena ter esse valor guardado se você está pagando juros muito mais altos no cartão e no cheque especial. Mas com as dívidas pagas, não deixe de juntar dinheiro novamente e refaça a sua poupança.

Se seu plano de previdência for o VGBL e não tiver carência para resgate, use este dinheiro para quitar as dívidas. Caso seja o PGBL, você acabará tendo que pagar um valor mais alto de imposto de renda ao resgatar os recursos.

2) Cortar gastos

É preciso cortar gastos para que você possa ter recursos adicionais para pagar dívidas e poupar. Você precisa ter uma reserva financeira para cobrir imprevistos. O tamanho desta reserva depende do quanto gasta por mês e de quantos meses você demoraria para obter um novo emprego. Coloque uma margem de segurança.

Se não está sobrando dinheiro no final do mês, negocie com a seguradora de seu plano de previdência para que possa suspender os aportes mensais, ao menos temporariamente. Você sempre poderá voltar a contribuir quando a situação melhorar. Não faz sentido investir em plano de previdência e ficar devendo no cartão ou no cheque especial.

Adie ao máximo toda e qualquer compra. Para cada compra, avalie se ela é uma necessidade ou um desejo.

Faça um controle diário de seus gastos. Você pode usar o Minhas Economias ou então uma planilha. A vantagem de nossa ferramenta é que fica mais fácil acompanhar os gastos ao longo do tempo e passar a se planejar melhor. Poderemos discutir esta questão em outra oportunidade, quando lhe convier.

Avalie se há algum bem que possa ser vendido e assim gerar um caixa extra. Caso tenha dois carros em casa, avalie se é possível viver com apenas um.

3) Dicas para um futuro melhor

Mesmo que consiga obter renda extra, procure manter seu padrão de vida anterior. É difícil, mas é mais fácil manter um padrão de vida mais baixo do que aumentá-lo e depois ter que voltar ao nível anterior.

Evite tomar dinheiro emprestado para fazer compras. Procure adiá-las e depois comprar à vista. Com o tempo, você perceberá que sai muito mais barato. Lembre-se que no Brasil os juros continuam elevados e além disso tem os impostos cobrados sobre os empréstimos, e que também são caros…

Seja um exemplo para seu filho. Converse com ele sobre dinheiro e sobre como é difícil obtê-lo. Há vários artigos discutindo sobre isso na Internet. Isso lhe ajudará a cortar os gastos em sua casa e, o mais importante, ajudará na formação de um cidadão mais consciente financeiramente. Provavelmente seu filho poderá ter uma vida melhor no futuro ao aprender a lidar com dinheiro.

Se você ficou com alguma dúvida, ou se tem algum caso que gostaria que fosse analisado por nossos especialistas, escreva para a gente ! Envie um e-mail para contato@minhaseconomias.com.br.