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O que é deflação e por que ela não é sentida por todos

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O que é deflação e por que ela não é sentida por todos

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O mês de julho foi marcado por uma deflação de 0,68% no IPCA, que é um índice de preços. Quem vê esse número, pode entender que todos os preços caíram, mas o bolso sabe que a realidade é bem diferente disso.

Para entender melhor o que aconteceu, primeiro é preciso saber o que é o IPCA, o principal índice de preços do país.

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é uma cesta composta por nove grupos de produtos. Dentro de cada um, há vários subtipos de produtos ou serviços. A variação de todos esses itens, ponderada pela participação de cada um na cesta, é o que resultará em uma variação positiva (inflação) ou negativa (deflação).

Os grupos são os seguintes: alimentação e bebidas (responde por 21,3% do índice); habitação (15,2%); artigos para a residência (3,9%); vestuário (4,5%); transportes (22,3%); saúde e cuidados pessoais (12,4%); despesas pessoais (9,7%); educação (5,6%); e comunicação (5,1%).

Essa cesta tem o objetivo de refletir o gasto médio de uma família. No entanto, a depender da realidade de cada consumidor, a variação do índice de inflação nem sempre vai coincidir com o que é sentido na prática.

Uma família de menor renda gasta uma maior parte do seu salário com alimentação. A variação dos itens desse grupo, portanto, será o mais relevante na percepção de consumo de renda.

A deflação de julho, que também deve se repetir em agosto, é fruto da queda do preço da gasolina e energia. A gasolina é o item que, individualmente, tem o maior peso na composição do IPCA, 6,7%, maior que grupos inteiros de produtos.

“Esses preços caíram como efeito da redução do ICMS e dos tributos federais sobre a gasolina. A dinâmica da inflação, no entanto, não foi alterada”, diz Flavio Serrano, economista-chefe da Greenbay Investimentos.

Por dinâmica da inflação o economista quer dizer que ainda há pressões que fazem com que, no geral, os preços continuem em alta.

É por isso que uma família que não tenha carro para abastecer terá sentido muito pouco dessa deflação de julho. Pelo contrário, a sensação pode inclusive ser de que os preços estão mais elevados.

Isso pode ser visto melhor ao olhar a inflação no acumulado dos 12 meses encerrados em julho. O IPCA, nesse intervalo, acumula alta de 10,07%. Ao olhar apenas o grupo de alimentos e bebidas, a inflação é ainda maior, de 14,7% em 12 meses.

Outros itens também ligados ao dia a dia acumulam altas próximas a dois dígitos, como aluguel (8,8%) e produtos farmacêuticos (15,1%).

Leite dispara

Dentro do grupo de alimentação, o item que chama mais a atenção é o leite e derivados, com inflação de 41,2% em 12 meses – só o longa vida acumula uma alta de 66,4%.

No caso do leite, essa alta é fruto de alguns fatores. O primeiro é a entressafra característica do período, em que a produção cai, jogando os preços do produto para cima.

No entanto, outros dois motivos turbinaram esse movimento. No início do ano, com a alta no preço da carne bovina, muitos produtores destinaram parte do rebanho para o abate, reduzindo o número de animais destinados à produção do leite. Outro é o aumento dos insumos, como ração.

Ainda entre os alimentos, frango e peixes acumulam altas de quase 20%.

E na famosa dupla brasileira, o alívio só ocorre no arroz, que apresenta deflação de 7,9% em 12 meses. No mesmo período, o feijão carioca sobe 28,6%.

 

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