Ibovespa recua em junho diante de juros elevados e cenário internacional ainda instável

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Ibovespa recua em junho diante de juros elevados e cenário internacional ainda instável

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Foto: Shutterstock/Alf Ribeiro

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O mês de junho foi marcado pelo avanço das negociações diplomáticas no Oriente Médio. A assinatura do memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã, com 14 pontos para o cessar-fogo e diretrizes para o encerramento dos conflitos, reduziu significativamente os riscos geopolíticos e derrubou os preços internacionais do petróleo. Apesar desse arrefecimento, o cenário internacional permaneceu desafiador, com Ucrânia e Rússia intensificando as ofensivas militares e elevando novamente as tensões no leste europeu.

No Brasil, o ambiente macroeconômico continuou pressionado pela inflação, apesar da continuidade do ciclo de flexibilização monetária. O Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, enquanto o IPCA acumulou alta de 4,72% nos últimos 12 meses até maio e o IPCA-15 atingiu 4,80% no mesmo período. A atividade econômica seguiu resiliente, com a taxa de desocupação recuando para 5,6% no trimestre encerrado em maio, o menor patamar para o período desde o início da série histórica.

Lá fora, o Federal Reserve manteve a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, enquanto o Banco Central Europeu elevou a taxa de depósito de 2,00% para 2,25%, no primeiro aumento em três anos. Nos Estados Unidos, a inflação voltou a acelerar, com o PCE acumulando alta de 4,1% e o CPI de 4,2% em 12 meses. O mercado de trabalho também surpreendeu positivamente, com a criação de 172 mil vagas pelo Payroll em maio, acima das expectativas, reforçando a percepção de uma economia ainda resiliente e reduzindo as apostas em cortes de juros no curto prazo.

Nesse contexto, o Ibovespa encerrou junho com queda de 1,01%, aos 172.024 pontos. No acumulado do segundo trimestre, o principal índice da bolsa brasileira registrou queda de 8,24%, refletindo um ambiente ainda marcado por expectativas de juros elevados nas principais economias, inflação persistente e cautela dos investidores diante do cenário macroeconômico global.

Entre as principais altas do mês, se destacaram:

Copasa (CSMG3)
Como a maior valorização do mês, com alta de 14,43%, a Copasa destacou-se após a conclusão do processo de privatização da companhia. O mercado reagiu positivamente à entrada da Equatorial como acionista de referência e às expectativas de ganhos de eficiência operacional e melhorias na governança corporativa. Além disso, as perspectivas de crescimento da empresa e o potencial de distribuição de dividendos contribuíram para o forte desempenho das ações ao longo do mês.

Marfrig (MBRF3)
A Marfrig registrou forte valorização de 12,62%, impulsionada pela melhora das perspectivas para as exportações ao Oriente Médio após o cessar-fogo provisório na região. O mercado reagiu positivamente à expectativa de redução dos custos logísticos e dos riscos associados ao transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, favorecendo as margens da companhia. Além disso, as expectativas de captura de sinergias com a integração da BRF reforçaram o otimismo dos investidores, contribuindo para o desempenho positivo das ações ao longo do mês.

Embraer (EMBJ3)
A Embraer subiu 11,94% , impulsionada pelas perspectivas de expansão da carteira de pedidos da companhia. O mercado reagiu positivamente à aprovação, pelo Parlamento da Grécia, da compra de aeronaves C-390 Millennium, além das expectativas de novos contratos em mercados como Índia e Arábia Saudita. Além disso, a melhora das perspectivas para o programa de jatos comerciais da fabricante reforçou o otimismo dos investidores, contribuindo para o desempenho positivo das ações ao longo do mês.

Caixa Seguridade (CXSE3)
A Caixa Seguridade apresentou valorização de 11,29% no mês, impulsionada pelo desempenho operacional da companhia. O mercado reagiu positivamente ao avanço dos segmentos de previdência, capitalização e seguros habitacionais, que registraram crescimento nas contribuições, arrecadação e prêmios emitidos. Além disso, a elevada geração de caixa e a expectativa de continuidade da forte distribuição de dividendos reforçaram a percepção de solidez do modelo de negócios, contribuindo para o desempenho positivo das ações ao longo do mês.

BB Seguridade (BBSE3)

A BB Seguridade avançou 10,65%, impulsionada pela aprovação da distribuição de R$ 3,85 bilhões em dividendos intercalares. O mercado também reagiu positivamente às perspectivas para o setor de seguros, beneficiado pelo ambiente de juros elevados, que favorece as receitas financeiras das companhias. Além disso, a expectativa de manutenção da elevada distribuição de proventos reforçou o otimismo dos investidores, contribuindo para o desempenho positivo das ações ao longo do mês.


Entre as principais baixas do mês, se destacaram:


Braskem (BRKM5)
Como a maior queda do mês, com recuo de 39,20%, refletindo as preocupações do mercado com sua situação financeira e o avanço do processo de reestruturação da dívida. A companhia solicitou tutela cautelar contra credores financeiros após não chegar a um acordo nas negociações, obtendo posteriormente decisão judicial que suspendeu por 60 dias a cobrança de determinadas dívidas. O movimento aumentou a percepção de risco, levando ao rebaixamento das classificações de crédito da empresa e pressionando as ações ao longo do mês.

Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3)
A Companhia Siderúrgica Nacional apresentou queda de 31,15% no mês , refletindo as preocupações do mercado com o elevado nível de endividamento da companhia. Apesar dos avanços no plano de desalavancagem, incluindo o processo de venda de ativos de infraestrutura e da CSN Cimentos, os investidores mantiveram cautela em relação ao ritmo de redução da dívida e à capacidade de geração de caixa da empresa. 

Usiminas (USIM5)
A Usiminas caiu 23,74%, refletindo um movimento de realização de lucros após a forte valorização registrada pelas ações nos meses anteriores. Apesar da manutenção de perspectivas favoráveis para a companhia e para o setor siderúrgico, os papéis passaram por uma correção ao longo de junho, em meio à acomodação do mercado após os ganhos recentes. O movimento contribuiu para o desempenho negativo das ações no período.

Magazine Luiza (MGLU3)
A Magazine Luiza recuou 21,74%, refletindo um cenário operacional e macroeconômico desafiador para a companhia. O mercado permaneceu repercutindo os resultados do 1T26, pressionados pelo prejuízo líquido e pela queda das vendas no e-commerce e no marketplace. Além disso, o ambiente de juros elevados e a concorrência mais acirrada no comércio eletrônico continuaram pressionando as perspectivas da varejista, contribuindo para o desempenho negativo das ações ao longo do mês.

SLC Agrícola (SLCE3)
A SLC Agrícola apresentou queda de 16,77% no mês após anunciar a aquisição de um portfólio de terras da Radar, no Mato Grosso, por R$ 1,85 bilhão. Apesar de a operação fortalecer a estratégia de expansão da companhia no longo prazo, o mercado reagiu com cautela diante do impacto esperado sobre a alavancagem e a geração de caixa no curto prazo. Além disso, o cenário de juros elevados e as incertezas para o setor agrícola reforçaram a percepção de risco dos investidores, contribuindo para o desempenho negativo das ações ao longo do mês.

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