A partir de outubro de 2015, os Fundos Simples passaram a estar disponíveis para investimento. A ideia por trás da criação desta nova modalidade de fundos era a de simplificar a adesão e reduzir os custos administrativos, de modo a atrair mais investidores a fundos com baixo risco e menor taxa de administração. No entanto, será que a rentabilidade foi melhorada em relação a de outros investimentos com a introdução deste novo tipo de fundo?

Os Fundos Simples devem aplicar, no mínimo, 95% da carteira em títulos públicos e títulos de bancos com risco igual ou superior ao do governo. Além disso, eles também têm a comunicação com os investidores feita de forma eletrônica apenas e não podem cobrar taxas de performance, o que reduz custos e aumenta seu potencial de retorno.

Para verificar se realmente o retorno melhorou, fizemos a comparação de um fundo simples do maior banco público brasileiro, o Banco do Brasil, com alguns fundos de baixo risco que já existiam anteriormente e também com dois títulos do Tesouro Direto com risco semelhante, os Tesouros Selic com vencimento em março de 2017 e março de 2021. No caso destes títulos consideramos apenas o custo da taxa de custódia da BM&F (de 0,30% ao ano) e não consideramos a taxa de administração da corretora, que varia normalmente de 0% a 0,5% ao ano. Além disto, o cálculo da rentabilidade levou em conta os preços de compra e de venda. Assim, por exemplo, a rentabilidade do mês de fevereiro de 2017 considerou o preço de compra (pela ótica do investidor) de 31 de janeiro e o preço de venda em 24 de fevereiro (último dia útil do mês).

No gráfico abaixo, exibimos as rentabilidades mensais destes investimentos ao longo do período de novembro de 2015 a fevereiro de 2017. É possível observar claramente que o Fundo Simples tem rentabilidade maior em quase todos os meses na comparação com os demais fundos de baixo risco. E a principal explicação encontra-se nas taxas de administração. Enquanto o Fundo Simples do BB possui taxa de 1,95% ao ano, o BB RF LP 100 possui taxa bem mais alta: 3,8%, e o DI Social 50, 2,6%.

Por outro lado, o Fundo Simples apresenta rentabilidade consistentemente abaixo do Tesouro Selic 2017. Já na comparação com o Tesouro Selic 2021, este último já não se apresenta tão competitivo por conta do maior spread existente entre seus preços de compra e de venda.

Fundo Simples x Tesouro Selic - Rentabilidades mensais

Fundo Simples x Tesouro Selic – Rentabilidades mensais

 

No entanto, a situação do Tesouro Selic 2021 na comparação com o Fundo Simples BB é alterada quando se leva em conta prazos mais longos, em que o efeito deste spread entre os preços de compra e de venda fica mais diluído. O gráfico abaixo exibe as rentabilidades acumuladas entre uma determinada data e o dia 24 de fevereiro de 2017.

Fundo Simples x Tesouro Selic - Rentabilidade acumulada até 24-fev-2017

Fundo Simples x Tesouro Selic – Rentabilidade acumulada até 24-fev-2017

 

Neste caso, para investimentos de prazo mais longo, o investimento nos Tesouros Selic é consistentemente mais rentável do que no Fundo Simples, e este é mais rentável do que os demais fundos. Assim, apesar da boa intenção por parte da CVM na criação do Fundo Simples, ainda vale muito a pena o investidor ter um pouco mais de trabalho e aplicar no Tesouro Direto através de uma corretora que não faça a cobrança da taxa de administração (corretagem). No longo prazo, esta diferença na rentabilidade certamente será significativa.