O escocês Angus Deaton foi o vencedor do Prêmio Nobel de Economia deste ano, recebendo uma recompensa de quase 1 milhão de dólares! Não há dúvida que seus estudos devem ter uma importância muito grande no mundo das finanças, mas será que ele tem algo a ensinar para nós, ‘pobres mortais’? Ou teremos que ter uma pós-graduação em economia para entender melhor suas ideias?

Normalmente os ganhadores deste prêmio são estudiosos de teorias econômicas pouco acessíveis a pessoas sem uma boa formação na área. O caso de Angus não é diferente: ler as suas publicações ou livros não será um ‘passeio no parque’!

Porém, como os seus estudos estão voltados a uma área bastante prática da economia (“análise do consumo, pobreza e bem-estar”), podemos sim tirar algumas lições para o nosso dia-a-dia. É claro que simplificamos enormemente as suas ideias, mas o objetivo é mostrar que há sim muito o que aprender com estes estudiosos!

1. Quanto dinheiro é preciso para alcançarmos a Felicidade?

Apesar deste estudo não são ser exatamente o motivo que o levou a ganhar o Prêmio Nobel de Economia, Angus, juntamente com o economista Daniel Kahneman, publicaram-no em 2010 com este cálculo: US$ 75 mil dólares por ano.

Ou seja, chegaram à conclusão que ganhar mais que US$ 75 mil dólares por ano não trará necessariamente mais felicidade para a pessoa.

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Mais do que o valor em si, que em nosso ponto de vista pode alterar de acordo com o país e as condições econômicas de cada pessoa, o importante é o fato de haver um valor máximo de dinheiro pelo qual vale a pena se esforçar. E, melhor ainda, é saber que este valor não é lá tão alto assim!

2. Se o governo aumentar os impostos, qual será o impacto nos hábitos de consumo das pessoas?

Angus Deaton dedicou uma boa parte dos seus estudos na busca de equações matemáticas que pudessem simular e prever determinados comportamentos de consumo.

Por exemplo, se o governo quer aumentar os impostos sobre alimentos ou reduzir o imposto de renda para um grupo específico, como será que estas mudanças irão afetar o consumo dos vários produtos e serviços? E na sociedade como um todo, quais grupos sociais irão se beneficiar mais ou se prejudicar mais com estas alterações?

Pois é, não é nada fácil imaginar que equações matemáticas possam ser criadas para isso. E tal sistema é extremamente útil para a tomada de decisões sobre questões econômicas e políticas.

E você consegue medir estes impactos em sua vida? Por exemplo, se a inflação aumenta, como você muda as suas decisões de compra?

3. Desigualdade é uma consequência inevitável da prosperidade.

A questão da desigualdade é uma questão muito discutida hoje em dia: e todos buscam uma maneira de eliminá-la.

Angus nos dá um ponto de vista interessante sobre este tema: segundo ele, o progresso não é realizado de modo igual nos países e sociedade. Ou seja, há países que prosperam mais rapidamente e outros de uma maneira mais lenta. E isto aumenta a desigualdade entre as diversas sociedades.

Ou seja, a desigualdade é frequentemente uma consequência do progresso. Por isso a desigualdade no mundo tem sim aumentado, porém ninguém está em uma situação pior do que antes.

4. Ajuda monetária a países com necessidade.

Angus é cético com relação à ajuda humanitária aos países mais pobres que são feitos através de dinheiro. Segundo ele, é preciso que se reforcem as instituições destes países, que deveriam ser então o motor principal da mudança. O envio de dinheiro, por outro lado, pode diminuir a importância destas instituições, o que pioraria mais a situação em vez de ajudar.

Neste tema, Angus tem críticos sobre sua posição, e Bill Gates está ente eles. Estes críticos pregam que o fato de que o assistencialismo monetário pode gerar mais corrupção do que democracia não invalida nem justifica a eliminação destas ajudas.