Esta é uma dúvida bastante comum entre aqueles que sonham com um carro novo. Obviamente, melhor do que entrar num consórcio ou em um financiamento, é comprar o bem à vista.

Consórcio, segundo definição encontrada no site do Banco Central do Brasil, é a reunião de pessoas naturais e/ou jurídicas em grupo, com prazo de duração e número de cotas previamente determinados, promovida por administradora de consórcio, com a finalidade de propiciar a seus integrantes, de forma isonômica, a aquisição de bens ou serviços, por meio de autofinanciamento.

Consórcio ou financiamento - imagem

Assim, o consórcio não é uma operação de crédito, não havendo cobrança de juros. No entanto, há a cobrança de uma taxa de administração, a qual geralmente incide sobre o valor total do bem a ser adquirido e que serve para remunerar a administradora do consórcio.

Além disto, há também a cobrança de uma taxa referente ao fundo de reserva, o qual somente pode ser utilizado em determinadas situações previstas no contrato. Caso o fundo tenha um saldo disponível ao final do consórcio, o valor deverá ser distribuído entre os consorciados. Assim como no financiamento, o consorciado tem a opção de adquirir um seguro prestamista, o qual quita a dívida em caso de morte, invalidez ou desemprego do consorciado.

No quadro abaixo, apresentamos algumas vantagens e desvantagens de cada alternativa:

 

Consórcio

Financiamento

Vantagens- Não há cobrança de taxa de juros;
- Não incide IOF;
- Não necessita de entrada;
- Custos totais menores (taxa de administração é menor do que a taxa de juros)
- Aquisição imediata do bem;
- Há desconto nos juros em caso de liquidação antecipada
Desvantagens- Há cobrança de taxa de administração;
- Não recebe o bem de imediato (depende de sorteio ou lance)
- Não há desconto na taxa de administração em caso de liquidação antecipada
- Há cobrança de taxa de juros;
- Custos maiores do que no consórcio
- Há incidência de IOF

Fala-se muito que o consórcio é uma ótima alternativa para quem não tem pressa de comprar o bem. No entanto, se o indivíduo realmente não tem pressa e consegue ser disciplinado o suficiente para guardar dinheiro, a melhor alternativa ainda é poupar e investir até ter dinheiro suficiente para comprar o bem à vista. Para aqueles que não tem a disciplina necessária para poupar, muitos bancos oferecem a possibilidade de realizar aplicações automáticas em poupança, fundos e outros investimentos de renda fixa. Ainda assim, se a pessoa só consegue acumular patrimônio tendo dívidas (e há bastante gente assim!), então o consórcio pode ser sim uma opção melhor do que o financiamento.

Para exemplificar as alternativas, fizemos uma simulação baseada nas seguintes hipóteses:

  • - Valor do automóvel: R$ 50 mil;
  • - Prazo total: 48 meses, tanto para o financiamento quanto para o consórcio;
  • - Taxa de juros do financiamento: 1,70% ao mês
  • - Taxa de juros de investimento: 0,40% ao mês, livre de imposto de renda (IR);
  • - Taxa de administração do consórcio: 15%;
  • - Taxa de fundo de reserva do consórcio: 3,5%;
  • - Valor disponível para investimento mensal é igual ao valor da parcela do financiamento em 48 meses: R$ 1.532,19.

Além disto, para simplificarmos a análise, desconsideramos o valor de entrada necessário para o financiamento. No gráfico abaixo, mostramos como evolui o “patrimônio” em cinco alternativas:

1 – Poupando e investindo até conseguir comprar o carro à vista – neste caso, a pessoa investe mensalmente R$ 1.532,19 e, ao acumular R$ 50 mil, compra o veículo. A partir daí, continua acumulando e investindo até o 48° mês, chegando ao saldo final de R$ 27.391,37, além de ter um carro (como em todas as alternativas);
2 – Fazendo o financiamento – o saldo já começa em R$ 50 mil negativos e à medida que paga as parcelas, este saldo evolui até chegar a R$ 0 ao final do 48° mês;
3 – Fazendo o consórcio – como a parcela do consórcio (R$ 1.234,38) é menor do que a do financiamento, a diferença (R$ 297,82) é investida todo mês, chegando a um saldo final de R$ 15.725,35 em 48 meses;
4 – Poupando e investindo por 12 meses e depois fazendo um financiamento apenas do valor que falta – ao final do 12° mês, o saldo do investimento é usado como entrada do financiamento, cuja parcela é igual ao valor disponível mensal (R$ 1.532,19). Após a quitação do financiamento, este valor mensal é investido até o final dos 48 meses, gerando um saldo de R$ 16.857,87;
5 – Poupando e investindo por 24 meses e depois fazendo um financiamento apenas do valor que falta – é a mesma situação da alternativa 4, mas como o saldo acumulado é maior, o valor do financiamento é menor. Ao final dos 48 meses, o saldo é de R$ 25.122,97.

 

Consórcio x financiamento x compra à vista

Consórcio x financiamento x compra à vista

 

Como já era de se esperar, investir o dinheiro e só comprar o carro à vista é a opção mais vantajosa de todas. Mesmo as opções onde a compra não é feita à vista, mas existe um investimento inicial de 12 ou 24 meses (alternativas 4 e 5), também são bem vantajosas!

Entretanto, cabe lembrar que o “dinheiro que sobra” não é o único ponto a ser analisado. Para aqueles que dependem do carro para trabalhar, que querem melhorar a qualidade de vida através de um carro mais confortável  ou que tenham alguma outra motivação mais específica (como a necessidade de ter um ‘compromisso’ para conseguir guardar o dinheiro), as outras alternativas de compra do carro podem se tornar as melhores!

Observações em relação às simulações realizadas:
– Não estamos considerando os efeitos da inflação ou de oscilações no preço do automóvel;

– Não estamos prevendo a realização de lances no consórcio. O consorciado pode ter a ‘sorte” de ter o carro já no primeiro mês ou o “azar” de pegar o carro apenas no 48º mês;

– Consideramos que não há exigência de entrada no financiamento do automóvel;

– Não consideramos a cobrança de IOF no financiamento, mas pode-se incluir o imposto diretamente na taxa de financiamento;

– Consideramos que as taxas de juros não variam ao longo do tempo;

– Não consideramos na análise os custos relativos ao automóvel como IPVA, seguro e manutenção. Vale ressaltar que, assim que tiver o veículo em mãos, estas despesas irão consumir boa parte do orçamento, de modo que a “sobra de caixa” será menor do que o previsto.

 

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