Depoimento de Izabel

Meu nome é Izabel, 33 anos, casada há 5 anos, sem filhos, graduada em Economia e Pós Graduada em Gestão Financeira em Alagoas. Meu primeiro emprego com carteira assinada foi em uma franquia da Rede McDonalds, como atendente de loja, aos dezoito anos, onde logo fui promovida a assistente financeiro, lá fiquei por cinco anos. Filha de Motorista de ônibus e doméstica vivendo numa casa com mais três irmãos além de meus pais, a renda de meu pai era sufiente para vivermos de maneira muito simples, me via diante de algumas ambições, como fazer faculdade, passar em concurso público, ter condições de me melhorar meu padrão de vida e com isso, levei a sério minhas metas.

Pagando minhas despesas pessoais com meu salário, não fazia gastos supérfluos, fiz curso pré-vestibular, curso de linguas, diversos em gestão, preparatório para diversos concursos, viajei para estados vizinhos para fazer provas de concursos, enfim, investi em minha educação, montei um quarto nos fundos da casa de meus pais, que me propiciou um ambiente mais adequado ao descanso e aos estudos. Além de ajudar meus pais, com algumas comprinhas para casa, comprei uma máquina de lavar para minha mãe, ainda consegui poupar algum dinheirinho.

Conquistei a faculdade (pública), passei em concurso público e possuia uma poupança de equivalente a 20 salários minimos. Estava me sentindo muito cansada, pois estava conciliando a faculdade, o trabalho privado, além do serviço público, onde cumpria uma carga horária aos fins de semana e feriados, segui o conselho de meu pai e optei por pedir exoneração do cargo público, pois estava em estado probatório, não podia pedir licença sem vencimentos e o trabalho privado me rendia o triplo da renda, não poderia me desfazer naquele momento. No entanto, como um golpe do destino, no mês em que minha exoneração saiu, eu fui demitida do emprego privado.

Fiquei desempregada, por alguns meses, me mantendo com uso de minhas economias, consegui um estágio na secretaria de planejamento do municipio de Maceió, até que fui estagiar em um grande Grupo Sucroalcoleiro no estado em que moro e fui admitida no setor financeiro, com minhas economias pude fazer minha festa de formatura, paguei tudo direitinho, inclusive o álbum, que é a maior despesa que temos. Nesta empresa, conheci meu esposo empregado do Grupo na área de TI, solteiro, iniciamos uma paquera, namoro e logo noivamos, tudo muito rápido, neste periodo descobrimos que meu pai estava com Câncer e eu como arrimo de familia era a única que dispunha de ajuda financeira naquele momento para despesas como medicação, táxi, alimentação diferenciada, etc.

Minhas economias foram muito úteis nesse momento, embora noiva, não estavamos preparando enxoval, esperavamos passar aquele momento familiar para iniciar as compras, mas lembro que cheguei a pesquisar buffet e vestido de noiva. Meu pai iniciou o tratamento e faleceu alguns meses apenas depois da descoberta de seu problema de saúde. Logo depois de seu falecimento, meu noivo, recebeu uma proposta financeira para ser transferido para outra unidade da empresa em outro estado. Fiquei muito ansiosa para acompanhá-lo, mas a empresa informou que não seria possivel me transferir, pois o setor financeiro da empresa estava aqui no nosso estado, não tinham interesse em me remanejar. Com essa recusa, resolvi pedir demissão e acompanhar meu futuro esposo, na minha ótica, ele solteiro, andava de Carro Pólo – do Ano, trabalhava na área de TI, uma área bem remunerada dentro do grupo, recebendo uma promoção, teriamos uma ajuda de custo nos primeiros meses….estava tudo conspirando a favor.

O que eu não podia prever é que a empresa, cancelasse a transferência e promoção dele na véspera de nossa viagem, casamos no Civil, sem comemoração alguma, pedi demissão, e isso foi um baque em nossa vida. Graças a Deus o emprego dele foi mantido e ele está na mesma empresa até hoje, cinco anos após o ocorrido. O pior estava por vir, embora eu estivesse desempregada eu não devia a ninguém, diferente de meu esposo, que estava com o leasing atrasado, devia empréstimos a banco, cheque especial e só pagava o rotativo do cartão de crédito. Foi ai que percebi a situação crítica em que ele se encontrava, ele não externava essa situação para ninguém. Acabei morando na casa de minha sogra e diante de minha nova realidade de desempregada, iniciei trabalho de campo em busca de novo emprego.

Tinha um trabalho muito importante pela frente, administrar meu casamento, que apesar da crise, não pensei em abrir mão dele, queria lutar e acreditei que venceriamos. Afinal, a situação crítica financeira era dele e não minha, mas éramos um casal e refletiu em minha vida diretamente. Percebi, que era dificil para ele mudar, admitir que não era mais possivel viver com os mesmos hábitos, assim, o primeiro passo e mais doloroso, foi convencê-lo a ficar sem carro. Depois reduzir as saídas aos fins de semana e não fazer mais compras desnecessárias. Iniciei em nova empresa, novo trabalho, ficamos sem carro, mas foi possivel financiar uma apartamento pela caixa econômica.

Com um dinheirinho que me restou de minhas economias, além de que minha mãe recebeu um valor de indenização do meu pai (rescisão, FGTS, PIS) ela resolveu partilhar entre os filhos e essa ajuda foi o que usei para reformar nosso apartamento, pintar, colocar louça nos banheiros, pouca coisa e compramos alguns móveis para nossa casa, mas nesse momento acho que meu esposo já estava mudando, concordou em comprar móveis em liquidações, compramos mostruário com pequenas avarias e pensamos que depois iriamos substituir por novos móveis, quando a situação melhorasse. A familia dele nos ajudou muito, os pais deram a geladeira, outro o liquidificador, os avós a máquina de lavar e assim montamos nosso apartamento. A maior lição que ele aprendeu, foi a de planejar antes de comprar, depois avaliar se realmente é necessário e se condicionar a ficar sem carro foi muito importante para nossa guinada, ele resolveu unificar os diversos empréstimos em um único, conseguiu pagar as faturas do cartão e não usa mais o limite do cheque especial, na verdade acho que a vitória é mais dele do que minha, hoje nos orgulhamos de onde nos encontramos, muito recentemente, já começamos a pensar em mudar para uma casa maior, voltamos a planejar viagens com a familia e planejo meu primeiro filho para o ano que vem, hoje estou mais segura para esta decisão. Voltamos a ter carro e estamos planejando montar o quarto do bêbe antes dele nascer. Planejar é a palavra chave para alcançar qualquer meta.

Espero contribuir com outras pessoas que vivem uma situação parecida com a minha.

Izabel
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