O Tesouro Direto vem acolhendo cada vez mais investidores. Um dos motivos disto é que ele é apresentado como sendo um investimento seguro, mas sob que aspecto ele é realmente seguro? Qual é a possibilidade de se ter prejuízo ao investir em um título do Tesouro?

Sob o ponto de vista de risco de crédito, ou seja, do risco do investidor não conseguir receber seu dinheiro de volta ou receber com atraso ou desconto, o Tesouro Direto é bastante seguro, pois quem paga é o Tesouro Nacional (o Governo Federal).

Agora, sob o ponto de vista de risco de mercado, ou seja, do risco de variação de preços, o Tesouro Direto apresenta riscos de prejuízo ao investidor sim. E isto pode ocorrer no caso de ser necessário resgatar o investimento antes de seu vencimento. Nos gráficos seguintes, apresentamos os saldos acumulados de uma aplicação inicial de R$ 1.000 em três vencimentos do Tesouro IPCA+ (que paga juros apenas no vencimento), nos anos de 2019, 2024 e 2035. Em cada ponto da curva, ele mostra o saldo acumulado (sem desconto do imposto de renda) para um investimento realizado na data referenciada e resgatado em 23 de junho de 2017. O saldo é apresentado já com o desconto da taxa de custódia de 0,30% ao ano cobrada pela BM&F, mas não inclui a taxa da corretora que varia normalmente de 0% a 0,50% ao ano, a depender da política de cobrança de cada corretora.

Adicionalmente, para efeito de comparação, incluímos os saldos acumulados de um investimento que rende 100% do CDI. As datas iniciais de cada gráfico correspondem à data inicial de negociação de cada título no Tesouro Direto.

 

Tesouro IPCA+ 2019 x CDI - Saldos acumulados até 23 jun 2017

Tesouro IPCA+ 2019 x CDI – Saldos acumulados até 23 jun 2017

 

No caso do Tesouro IPCA+ 2019, apenas o investidor que aplicou recursos em um ou outro dia após 12 de maio de 2017 e precisou resgatar em 23 de junho teve prejuízo. Em todas as demais datas, a rentabilidade foi positiva e, na maioria delas, supera o CDI. Por ser um título de prazo mais curto, as oscilações de preço acabam sendo menores.

 

Tesouro IPCA+ 2024 x CDI - Saldos acumulados até 23 jun 2017

Tesouro IPCA+ 2024 x CDI – Saldos acumulados até 23 jun 2017

 

O Tesouro IPCA+ 2024 é o que está sendo negociado há mais tempo (desde 2005). Por ter prazo maior do que o título anterior, as oscilações de preços também são maiores. No entanto, apenas investimentos realizados em algumas datas posteriores ao dia 10/fev/2017 e resgatados em 23 de junho apresentam prejuízo. Os investimentos realizados até o início de 2012, no entanto, apresentam ganhos superiores ao CDI, bem como diversos períodos ao longo de 2013 até o início de 2016.

 

Tesouro IPCA+ 2035 x CDI - Saldos acumulados até 23 jun 2017

Tesouro IPCA+ 2035 x CDI – Saldos acumulados até 23 jun 2017

 

Já o Tesouro IPCA+ 2035 (disponível desde março de 2010) é o que apresenta as maiores oscilações de preço (e rentabilidade, consequentemente) dentre os três títulos aqui apresentados. No gráfico acima, é possível visualizar que os investimentos realizados entre março de 2012 e junho de 2013 apresentaram rentabilidade abaixo do CDI, porém não chegando a ter prejuízo. Já boa parte dos investimentos realizados a partir da segunda quinzena de janeiro de 2017 apresenta prejuízo. O pior caso é quem resolveu investir neste título no dia 17 de maio de 2017 (data da divulgação do áudio de Joesley Batista e Temer): o prejuízo acumulado até o dia 23 de junho já chega a -10,46%.

Os títulos de vencimento mais longo do Tesouro Direto, como o Tesouro IPCA+ 2035 e 2045, são indicados para quem pretende investir para garantir a aposentadoria. O investidor não deve concentrar seus investimentos em apenas um título, pois, como vimos, em caso de necessidade de resgate antes do vencimento, o investidor pode acabar tendo prejuízo significativo. O ideal é que destine uma boa parte em aplicações de baixo risco, tanto de crédito quanto de mercado, e que possam ser resgatadas a qualquer momento sem prejuízo, como Tesouro Selic, Fundo DI (com baixa taxa de administração) ou CDB-DI. Estes investimentos são ideais para cobrir imprevistos e garantir que não seja necessário resgatar um investimento de longo prazo como o Tesouro IPCA+.